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Set 07

Encontrei uma pessoa que me confessou que a sua família, uma vez por semana, passa uma noite à luz da vela. Tudo começou num dia em que a electricidade faltou. Nessa noite não houve televisão, nem rádio, nem computador. Pais e filhos ficaram juntos em redor de uma vela acesa. O serão foi divertidíssimo, conversou-se, contaram-se histórias e o tempo passou serenamente. A experiência agradou e, a família, a partir desse dia decidiu passar uma vez por semana, a noite à luz da vela.

Actualmente, durante o dia, se retiramos o tempo de sono, as famílias dispõem pouco mais de três a quatro horas para estarem juntas. Habitualmente o (des)encontro tem início ao jantar. As refeições são feitas de televisão ligada para se ver as notícias. Este momento de partilha, por excelência, é assim desperdiçado: a televisão intromete-se, como se de um muro se tratasse. A seguir ao jantar, enquanto os mais novos se isolam no quarto a ouvir musica, a jogar no computador ou a navegar na Internet, os pais continuam hipnotizados pelo televisor, distraindo-se com a novela ou com o reality show do momento. O tempo passa e, sem darem conta, as quatro horas foram consumidas num ápice. No outro dia, a rotina repete-se.

Para existir intimidade entre as pessoas é indispensável que haja partilha. É importante revelar os pequenos acontecimentos que ocorreram durante o dia. Os momentos bons, os maus, as dúvidas, os desejos, as frustrações, enfim., é preciso partilhar. De que outra forma é que nos podemos conhecer uns aos outros? Se perdermos este hábito como é que os pais podem acompanhar o que se passa com os filhos? E o casal, como é que pode ter intimidade se não existir diálogo?

Nos dias de hoje não se discutem em casa os vários assuntos da actualidade; assistimos na televisão aos debates que os outros fazem por nós. As crianças têm cada vez menos espaço para a imaginação. Não brincam aos polícias e ladrões, ou aos príncipes e princesas, preferem jogar em frente a um ecrã um jogo que alguém imaginou para eles. Os adolescentes não procuram pedir aos pais opiniões e conselhos, em vez disso pesquisam na Internet. Acaba por ser mais cómodo para os pais, porque assim, pelo menos não os aborrecem com perguntas difíceis.

Se reflectirmos um pouco, percebemos que vivemos numa sociedade de consumo que procura a todo o custo apoderar-se do nosso tempo livre e captar a nossa atenção, apenas com um objectivo: obrigar-nos a consumir. É assustador o número cada vez maior de horas que os adultos, jovens e até as crianças passam por dia a ver televisão e em frente ao computador. O tempo acaba por ser destinado quase em exclusividade para satisfazer necessidades narcísicas já que a outra pessoa fica excluída.

Ninguém tem dúvidas que isto tem consequências na relação entre pais e filhos. Mas, a relação entre o casal também fica atingida. Muitos casamentos acabam por definhar com o tempo, por que não há comunicação. O diálogo e a partilha são indispensáveis para que haja intimidade entre as pessoas. Há coisas que têm que ser ditas. Nalguns casos o silêncio pode ser corrosivo e devastador.

Um casal que atravessava uma grave crise conjugal apresentou-se ao médico para tentar fazer uma terapia de casal. Uma das queixas apresentadas pela mulher era que estava casada há trinta anos e o marido nunca lhe tinha dito, durante aquele tempo, que a amava. Por isso, ela sentia-se profundamente infeliz e insegura. O marido com alguma indiferença respondeu - Disse-lhe que a amava no dia do casamento, como não mudei de ideias, não vejo a necessidade de me repetir.

Prescrição médica: «Uma noite por semana à luz da vela».

 

Pedro Afonso, psiquiatra
publicado por SoniaGuerreiro às 18:59
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Épa, já ultrapassei as 20 000 visitas!
Obrigado a TODOS!
publicado por SoniaGuerreiro às 18:54
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Segunda-feira foi um dia de emoções!
7 da manha, toca a levantar! A Gabriela acordou ansiosa para ir para a escola, lá fomos os três, com tudo o que a professora tinha pedido, na sexta (sexta foi a apresentação).
Livros, cadernos, pastas, caixas, tudo.... uma infinidade de coisas!!!
Chegamos cedo, eram 8.30h já lá estávamos , depressa se reuniram ali dezenas de pais e alunos! Todos eufóricos para o primeiro grande dia.
Quando a professora chegou, entramos atrás dela e dirigimo-nos para a sala.
Bom, escusado será dizer que havia um ou outro que chorava, mas a Gabriela portou-se lindamente!
Neste dia foi o pai buscá-la, como estava de folga, depois á tarde ficou também bem, não quer é saber do almoço, mas pronto, acho que horas das refeições ainda estão um pouco descontroladas mas com o tempo vamos lá!
Uma semana já se passou e ela tem adorado, tem gostado de tudo! Ainda bem! Até já tiveram direito a passeio de rua, foram visitar As Palavras Andarilhas!
As actividades extracurriculares ainda não começaram, só em meados de Outubro, ai vai ficar com o horário mais preenchido.
Uma amiga, mãe de uma menina que também anda lá na escola, convidou-me para fazer parte da Associação de Pais, tenho que ver bem, se aceito ou não!

Um á parte, estou muito feliz com a entrada da minha filhota na escola, e ainda fico mais porque ela está a gostar e fica bem todos os dias!


publicado por SoniaGuerreiro às 17:40

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