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A dor é, por vezes, tão insuportável que se procura um quarto escuro e silencioso.
É a enxaqueca, uma patologia neurológica com custos sociais preocupantes e que priva os indivíduos das suas faculdades durante as crises. A proporção da sua prevalência é de 2 mulheres para 1 homem.

A enxaqueca é entendida como uma patologia incapacitante e assume muitas variedades. O início das crises projecta-se, por vezes, na primeira infância. Os adolescentes são igualmente atingidos, mas com sintomas ligeiros e de curta duração, quando comparados aos adultos.

O tempo de duração das crises é variável, segundo nos explica o Prof. Pereira Monteiro, neurologista no Hospital de Santo António, no Porto, e presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia (SPN).
«Chegam a durar entre 4 a 72 horas e a frequência com que surgem situa-se, em média, entre duas a seis crises de enxaqueca por mês.» Se estes limites forem ultrapassados, poderá não ser enxaqueca ou então estará associada a uma outra patologia, por identificar.

Este responsável aproveita para salientar os custos sociais da elevada prevalência e frequência de crises de enxaqueca: «Obriga a perdas de dias de trabalho e leva à diminuição das capacidades do indivíduo em mais de 50%, durante as crises.»

Olhando para as formas mais comuns, temos a enxaqueca sem aura, que afecta 60% da população com enxaqueca. Por outro lado, a enxaqueca com aura atinge uma franja de 10 a 20% dos doentes com enxaqueca. Neste caso, considera-se as auras visuais, que se caracterizam pela visualização de luzes, de cores diferentes, formas em espiral, linhas em paliçada (a cor ou a preto e branco) que se alternam em flashes.

Noutras manifestações da aura, próprias da enxaqueca, podem surgir formigueiros, falta de força na totalidade ou numa metade do corpo. As perturbações da fala ou as alucinações constituem sinais mais raros. A enxaqueca surge em indivíduos geneticamente predispostos, com uma vasta história desta doença na família. Mas também existem factores exógenos que a desencadeiam.

«As perturbações do sono, o stress, determinados alimentos que ingerimos, como o queijo, o chocolate e citrinos são factores exteriores ao indivíduo que conduzem a um quadro de enxaqueca», considera este especialista. Esta doença neurológica é crónica e tem uma expressão clínica que se revela de forma intermitente, ou seja, vai e volta.

«Esta doença provoca incapacidade nos indivíduos que dela sofrem, seja nos estudos, no trabalho doméstico ou no desempenho profissional», esclarece Pereira Monteiro, que nos aponta alguns dados relativos a um estudo realizado na cidade do Porto: «Verificámos que 9% dos indivíduos padece de formas de enxaqueca pura e que 12% apresenta quadros desta doença associados a cefaleias de tensão.»

Na opinião deste clínico, a enxaqueca não tem sido tratada da maneira mais correcta, isto é, logo ao primeiro tratamento. Por vezes, os tratamentos demonstram uma eficácia reduzida, o que leva a um efeito perverso: os doentes não voltam ao consultório do médico.

«Agora existem novos medicamentos e abordagens terapêuticas que tendem necessariamente a resolver o problema do paciente no primeiro tratamento», afirma Pereira Monteiro. No entanto, o presidente da SPN previne que cada caso é uma realidade específica, merecendo uma abordagem particular.

Travar a dor

O tratamento é elaborado caso a caso. Mas, de uma forma geral, eis as orientações terapêuticas para casos de enxaqueca moderada ou grave:

  • Utilização de fármacos mais potentes, como os triptanos, que apresentam um bom grau de eficácia;

Tratamento preventivo:

Quando as crises são muito frequentes e severas o suficiente para causar incapacidade na pessoa, a recomendação aponta para a toma diária de comprimidos durante um período de dois a seis meses.

Sem comprimidos à mão

Aconselha-se o repouso, o silêncio, a escuridão e o sono, porque dormir ajuda a que a crise passe. Mas a medicação é insubstituível.

Os sintomas da enxaqueca

  • Dores intensas e latejantes em metade ou na totalidade da cabeça;
  • Agrava-se com o esforço;
  • Alivia com o repouso e o sono;
  • Causa osmofobia (intolerância ao cheiro), fonofobia (intolerância ao barulho) e fotofobia (intolerância a luz);
  • Náuseas e vómitos; nas crianças pequenas este é um dado que ajuda a identificar a doença, bem como as explicações que elas dão sobre o que sentem.

publicado por SoniaGuerreiro às 12:04
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comentário:
Olá, tb eu sofro de enxaqueca, é a minha companhia mais fiel há 30 anos. Não entendo ! Há tempos foi anunciado que o doente de enxaqueca iria ter uma atenção especial, uma vez que é uma doença altamente incapacitante. Até agora ... nada. Os medicamentos, cada vez mais, não são comparticipados, tiram do mercado farmacêutico medicamentos sem que nos deixem outra alternativa que não seja experimentar o que ainda existe.
Vamos ao médico de família , aqui dificilmente nos canalizam para uma especialidade, psiquiatria ou neurologia, depois de passarem meses por estes serviços e depois de experimentar uma série de tratamentos, sem êxito , o neurologista chega à triste conclusão... "não sei mais o que fazer, terá de tomar a medicação habitual cada vez que tiver uma crise", isto é animador.
O doente de enxaqueca tem uma vida complicada, não pode marcar compromissos porque a qualquer momento lá chega a "visita" indesejada, fins de semana? nem pensar, férias? só muda a cama onde me deito e a paisagem de resto vai sempre comigo esta maldita companhia.
O Ministério da saúde não nos deveria dar um pouco de atenção?
maria manuel a 5 de Março de 2008 às 15:14

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