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Abr 07

Raptos, sequestros e roubos em escalada

A criminalidade violenta está a atingir proporções preocupantes. De acordo com os últimos dados oficiais da PJ, o número de inquéritos relativos a crimes que pressupõem o uso de violência, como raptos, sequestros e tomada de reféns, subiu 14 por cento entre 2005 e 2006.

Segundo o Relatório de Actividades da PJ de 2006, a que o CM teve acesso, no ano passado foram abertos 589 inquéritos relativos a raptos, sequestros e tomada de reféns, mais 73 do que no ano anterior. Já em 2004 foram registados apenas 490 inquéritos.

Os inquéritos sobre roubos, tráfico de pessoas, homicídios, ofensas à integridade física grave, detenção ou tráfico de armas proibidas também registaram subidas assinaláveis. No primeiro caso (roubos) entraram no ano passado 1951 inquéritos, contra 1603 em 2005; no segundo caso (homicídio consumado) foram registados no ano passado 236, mais trinta do que no ano anterior.

Os crimes de ofensas à integridade física grave e tráfico de armas proibidas aumentaram, respectivamente, de 67 para 129 e de 111 para 115, entre 2005 e 2006. O documento da PJ aponta mesmo para uma “maior utilização da violência” na prática de crimes a “par de alguma generalização do uso de armas de fogo”.

Em declarações ao CM, o director nacional da PJ, Alípio Ribeiro, explicou que existe no nosso país “um tipo de crime violento ligado ao sequestro e ao rapto que tem muito a ver com as relações interfamiliares”. Por exemplo, quando os pais raptam ou sequestram os próprios filhos. Aliás, de acordo com Alípio Ribeiro, boa parte dos inquérito sobre raptos e sequestros está relacionada com questões de família.

Quanto ao uso das armas de fogo, o director da PJ diz que na área do crime grave é muito preocupante “porque é um sinal de risco”. O recente assalto a uma bomba de gasolina em Benavente, durante o qual foi morta a tiro de caçadeira uma mulher de 43 anos, é um exemplo disso. Alípio Ribeiro defende que “há uma necessidade de dominar esse negócio clandestino de armas” e refere também, com apreensão, outro tipo de crime violento: “O homicídio com arma de fogo praticado por pessoas que estão autorizadas a tê-las.” Dá como exemplo os crimes passionais.

Por todas estas razões, a PJ vai continuar a incidir e a focalizar as acções na prevenção e na investigação da criminalidade complexa e violenta. No entanto, conforme se pode ler no referido relatório, este ano a prioridade será o combate ao terrorismo, tráfico de estupefacientes e criminalidade económica e financeira, com especial destaque para o combate à corrupção.

A PJ vai apostar também este ano num “acréscimo de responsabilidades na Europol, no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia.

MENOS 248 INQUÉRITOS

No ano passado foram registados 22 315 inquéritos, menos 248 do que em 2005. Mas segundo aponta o relatório, os inquéritos são cada vez mais “complexos”

ABUSO SEXUAL DE CRIANÇAS

Os abusos sexuais a crianças e adolescentes estão a aumentar. Em 2006, foram abertos 1064 inquéritos, enquanto em 2005 foram registados 939.

PASSAGEM DE MOEDA FALSA

O número de inquéritos a crimes de passagem de moeda falsa diminuiu no ano passado, tendo sido registados 7219 contra 7365 inquéritos abertos em 2005.

FOGO POSTO EM FLORESTAS

Em 2006 foram abertos 2356 inquéritos por fogo posto em florestas, colocando este crime no 2.º lugar do ranking dos crimes registados pela PJ.

FORMAÇÃO ATÉ AO FINAL DO ANO

As provas para recrutamento de 150 inspectores já decorrem. Há 15 dias efectuaram-se as provas escritas a 2000 candidatos. Até ao fim do ano espera-se o arranque na formação.

JUDICIÁRIA À ESPERA DE MAIS 150 INSPECTORES PARA ESTE ANO

Os recursos humanos ao serviço da PJ apresentaram um ligeiro decréscimo em 2006, algo que vem acontecendo desde 2004. Neste momento está a decorrer um concurso externo para recrutamento de 150 inspectores estagiários que conta já com mais de 6000 candidatos para as provas de ingresso. Para além deste, decorrem também concursos para carreiras técnicas do pessoal de apoio.

Do total do pessoal efectivo da PJ, a categoria do pessoal de investigação criminal representa 45 por cento, com 1145 inspectores. Quanto ao número de detenções efectuadas, este tem vindo a aumentar nos últimos anos.

Em 2006 a eficácia na identificação e detenção dos responsáveis por actos ilícitos traduziu-se em 2497 casos, um aumento de 6,9 por cento relativamente ao ano anterior, e 13 por cento quando comparado com 2004. Os departamentos de Lisboa e Porto registaram a maior percentagem do total de detenções: 19,6 e 12, 2 por cento respectivamente.

MEIOS DA PJ E DETENÇÕES

Detidos: 2.209 (2004) / 2.335 (2005) / 2.497 (2006)

Recursos humanos: 2.681 (2004) / 2.671 (2005) / 2.575 (2006)

Fonte: PJ

CASOS DE CRIMES VIOLENTOS

HOMICÍDIO EM BENAVENTE

Uma mulher foi morta a tiro na passada sexta-feira durante um assalto a um posto de combustíveis em Benavente.

RECÉM-NASCIDA RAPTADA

Com apenas três dias de vida, Andreia Elizabete foi raptada no Hospital de Penafiel. Um ano depois foi encontrada.

OURIVES ESFAQUEADO

O proprietário de uma ourivesaria da zona de Aveiro foi violentamente esfaqueado por um assaltante na passada 5.ª feira.

SERIAL KILLER ACUSADO

O ex-cabo da GNR António Costa é acusado pelo Ministério Público da morte de três raparigas de Santa Comba Dão.

COMBATE À CORRUPÇÃO: EM 2006 FORAM ABERTOS 366 INQUÉRITOS

O combate à corrupção é uma das principais prioridades da Polícia Judiciária (PJ) para este ano. De acordo com um relatório de actividades da PJ, a corrupção ocupa o 9.º lugar no ranking dos crimes registados por aquela polícia. Só no ano passado foram abertos 366 inquéritos, menos quatro do que em 2005.

“O combate ao terrorismo, ao tráfico de estupefacientes e à criminalidade económica e financeira, com especial destaque para o combate à corrupção, representarão papel fulcral na investigação criminal desta polícia”, pode ler-se no relatório.

Uma posição que vai assim ao encontro do apelo lançado pelo Presidente da República, Cavaco Silva. Aliás, também a Assembleia da República está a discutir neste momento um conjunto de propostas no âmbito do combate à corrupção.

Dos 22 315 inquéritos abertos no ano passado pela PJ, 878 referiam-se a crimes contra o Estado. A corrupção liderou este tipo de delitos em 2006, com 366 inquéritos abertos e 422 saídos, seguido do peculato, com 223 entrados e 294 saídos.

Na investigação de crimes de corrupção, segundo o relatório de actividades, a PJ gastou 3205 euros.

MOVIMENTO PROCESSUAL (Inquéritos)

Entrados: 25614 (2004) / 22563 (2005) / 22315 (2006)

Regressados: 1398 (2004) / 1418 (2005) / 1410 (2006)

SAÍDOS – TOTAL: 24591 (2004) / 25773 (2005) / 23375 (2006)

Com proposta de dedução de acusação: 4390 (2004) / 4713 (2005) / 4792 (2006)

Arquivados: 13630 (2004) / 16934 (2005) / 14831 (2006)

Junto a outros inquéritos: 1583 (2004) / 1940 (2005) / 1881 (2006)

Enviados para outras entidades: 4988 (2004) / 2186 (2005) / 1871 (2006)

Pendentes: 16513 (2004) / 14571 (2005) / 14748 (2006)

Investigados (pendentes + entrados + regressados): 41551 (2004) / 40494 (2005) / 38296 (2006)

INQUÉRITOS ENTRADOS E SAÍDOS POR CATEGORIAS E TIPOS DE CRIME

CONTRA AS PESSOAS

ABUSO SEXUAL DE CRIANÇAS, ADOLESCENTES E DEPENDENTES

2004: 1109 (entrados) / 1057 (saídos)

2005: 939 (entrados) / 1186 (saídos)

2006: 1064 (entrados) / 1087 (saídos)

HOMICÍDIO CONSUMADO

2004: 227 (entrados) / 270 (saídos)

2005: 206 (entrados) / 230 (saídos)

2006: 236 (entrados) / 236 (saídos)

OFENSAS À INTEGRIDADE FÍSICA GRAVE

2004: 117 (entrados) / 90 (saídos)

2005: 67 (entrados) / 108 (saídos)

2006: 129 (entrados) / 135 (saídos

RAPTO, SEQUESTRO, TOMADA DE REFÉNS

2004: 490 (entrados) / 538 (saídos)

2005: 516 (entrados) / 560 (saídos)

2006: 589 (entrados) / 634 (saídos)

TRÁFICO DE PESSOAS

2004: 25 (entrados) / 14 (saídos)

2005: 27 (entrados) / 23 (saídos)

2006: 16 (entrados) / 28 (saídos)

VIOLAÇÃO

2004: 240 (entrados) / 277 (saídos)

2005: 241 (entrados) / 265 (saídos)

2006: 238 (entrados) / 274 (saídos)

CONTRA O PATRIMÓNIO

BURLAS

2004: 295 (entrados) / 344 (saídos)

2005: 322 (entrados) / 371 (saídos)

2006: 338 (entrados) / 402 (saídos)

OUTROS ROUBOS

2004: 1618 (entrados) / 1143 (saídos)

2005: 1603 (entrados) / 1715 (saídos)

2006: 1837 (entrados) / 1951 (saídos)

ROUBOS NA VIA PÚBLICA

2004: 326 (entrados) / 260 (saídos)

2005: 327 (entrados) / 319 (saídos)

2006: 321 (entrados) / 382 (saídos)

CONTRA A VIDA EM SOCIEDADE

ASSOCIAÇÕES CRIMINOSAS

2004: 82 (entrados) / 121 (saídos)

2005: 95 (entrados) / 116 (saídos)

2006: 79 (entrados) / 105 (saídos)

DETENÇÃO ILEGAL DE ARMA DE DEFESA

2004: 10 (entrados) / 6 (saídos)

2005: 13 (entrados) / 21 (saídos)

2006: 8 (entrados) / 8 (saídos)

DETENÇÃO OU TRÁFICO DE ARMAS PROIBIDAS

2004: 105 (entrados) / 98 (saídos)

2005: 111 (entrados) / 118 (saídos)

2006: 115 (entrados) / 131 (saídos)

TRÁFICO DE ESTUPEFACIENTES

2004: 1272 (entrados) / 1423 (saídos)

2005: 1242 (entrados) / 1396 (saídos)

2006: 1256 (entrados) / 1349 (saídos)

CONTRA O ESTADO

CORRUPÇÃO

2004: 285 (entrados) / 280 (saídos)

2005: 370 (entrados) / 381 (saídos)

2006: 366 (entrados) / 422 (saídos)

PECULATO

2004: 225 (entrados) / 206 (saídos)

2005: 248 (entrados) / 276 (saídos)

2006: 223 (entrados) / 294 (saídos)

TRÁFICO DE INFLUÊNCIAS

2004: 9 (entrados) / 7 (saídos)

2005: 15 (entrados) / 11 (saídos)

2006: 20 (entrados) / 15 (saídos)

Fonte: PJ

In Correio da Manhã

publicado por SoniaGuerreiro às 11:27
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