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Mai 07
Porque é que tanta gente acredita na cura da homossexualidade?
Em pleno século XXI muita gente ainda acredita que a homossexualidade é imoral, decadente, ou um desvio de carácter, e que os homossexuais poderiam ser “normais” se se esforçassem para isto. Quanto às crenças e juízos de valor dos outros, não há muito a fazer.
Mas quando os homossexuais são chamados de doentes, e quando se afirma que esta forma de sexualidade é uma perturbação mental, o mínimo que podemos fazer é esclarecer que, de acordo com a Psicologia, a homossexualidade já não é doença há muito tempo.
Para já vamos voltar no tempo e refazer o percurso do termo homossexualidade na História. Antes de ser considerada uma perturbação, a homossexualidade era uma prática punida juridicamente.
Em 1869, a legislação Alemã punia com prisão todas as pessoas que efectuassem práticas sodomitas, nas quais se incluía o contacto sexual entre indivíduos do mesmo sexo. Num esforço de salvá-los de uma punição jurídica, o médico Húngaro Benkert criou o termo homossexual.

A estratégia de Benkert consistia em dizer que estas práticas eram realizadas por indivíduos doentes, que não deveriam ser punidos, mas sim tratados. Este médico procurou transferir do domínio jurídico para o da saúde aquela manifestação da sexualidade.
Ao despenalizar a homossexualidade, esta perspectiva teve consequências que foram potencializadas no século XX: os comportamentos sexuais transformaram-se em identidades.

A homossexualidade tornou-se uma categoria diagnóstica no “Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders” (DSM) desde a primeira edição do manual em 1952.
Posteriormente em 1973, o peso dos dados empíricos, juntamente com a mudança das normas sociais e o desenvolvimento de uma comunidade homossexual politicamente activa nos EUA, levou o “The American Psychiatric Board of Directors” a votar para remover a homossexualidade do “DSM”, declarando que aquela orientação não está por essência associada à psicopatologia.
Desde então, tratar a homossexualidade como perversão ou depravação é fazê-lo de uma forma reducionista e preconceituosa, ignorando as verdadeiras questões éticas.

Com base no DSM ,durante muito tempo, inúmeros psicólogos não só efectuavam práticas que asseguravam a cura da homossexualidade, como vinham a público fazer propaganda destas mesmas práticas.
Eram as chamadas “terapias de conversão”, que além de não conseguir modificar os desejos sexuais, apenas acentuavam o sofrimento e a angústia inerente ao conflito interno de quem não se aceita como é.

Tanto a heterossexualidade como a homossexualidade são manifestações da sexualidade humana igualmente legítimas, e não existe fundamentação científica para argumentações preconceituosas.
A esperança é que a sociedade possa dar-se conta de que nenhum psicólogo ou cientista tem a última palavra sobre a vida sexual de ninguém.

Texto de:
Ana Belém


publicado por SoniaGuerreiro às 15:46
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