14
Jun 07

«Andar na vida com uma vida melhor»

«São mulheres e homens, alguns quase meninos, provenientes de diversos lugares, de famílias problemáticas, vítimas do alcoolismo, da violência, da droga, do desemprego e do abandono. Encontramo-los pelas ruas, agora já sem se restringirem à actividade nocturna, mas totalmente expostos a qualquer hora do dia.»
É desta forma que o Dr. Amílcar Soares, da Associação Positivo – Grupos de Apoio e Auto-Ajuda, nos descreve e alerta para o mercado da prostituição que cresce vertiginosamente pelo País, mas mantendo a tendência de centralizar-se nas grandes cidades.
E é numa aposta de apoio e solidariedade para com esta população, à parte de tudo e de todos, que a associação desenvolveu o Red Light, um espaço de apoio e informação a trabalhadores do sexo.

Para Amílcar Soares, «a importância deste projecto reflecte a minha preocupação e de toda a equipa face ao mundo da prostituição, visível todos os dias, sempre que vamos para a Positivo ou voltamos para casa, no fim do dia. É difícil ficar indiferente a esta situação quando somos confrontados com ela todos os dias».

Com o lema «Andar na vida, com uma vida melhor», o Red Light «não pretende interferir com as liberdades individuais, nem com o direito de escolha de cada um. O que se deseja é que, ao informar e disponibilizar formas de apoio e tratamento, se possa produzir modificações de comportamento que levem à diminuição de riscos, à prevenção e a uma maior consciência do indivíduo sobre os seus direitos à saúde».

Para prestar este serviço, o Red Light conta com uma equipa multidisciplinar, nomeadamente um médico, uma enfermeira, uma psicóloga e uma técnica de serviço social, e, sempre que necessário, podem recorrer à extensão do Centro de Saúde da Graça, na Rua do Alecrim, que abrange a população da freguesia de São Paulo.
A Dr.ª Antónia Jourdan, directora do Centro de Saúde da Graça, manifestou assim o seu apoio ao projecto afirmando a «disponibilidade para ajudar, quer a Associação Positivo, quer os seus intervenientes, quer as utentes do Red Light». CNLCS financia Red Light Desde o início que este projecto foi acompanhado pela Comissão Nacional de Luta Contra a SIDA (CNLCS), que, ao aperceber-se das suas potencialidades, não hesitou em financiá-lo, integrando-o no âmbito do Programa de Financiamento ADIS/SIDA.

Este programa privilegia as associações sem fins lucrativos, como é o caso da Associação Positivo, e tem como áreas prioritárias o apoio social e extra- -hospitalar e a prevenção. Nesta última, dá-se prioridade de financiamento a projectos que pretendam intervir junto de grupos de maior vulnerabilidade, sem apoio de retaguarda e com carência de informação e serviços. De acordo com a Dr.ª Carla Martingo, da CNLCS, «este projecto foi escolhido para ser financiado pela comissão pelo tipo de resposta que dá a populações um pouco marginalizadas dos serviços oficiais, seja de saúde ou sociais.

Com equipas multidisciplinares, o Red Light pode dar o apoio de que estas mulheres precisam e que, muitas vezes, poderá ser mesmo o único a que têm acesso porque não têm retaguarda familiar e têm, por exemplo, problemas com a toxicodependência. Além disso, criar um espaço próprio para elas contribui, também, para aumentar a sua auto-estima. Apelar para a auto-estima e dignidade destas mulheres foi também o objectivo da campanha publicitária, concretizada pela agência SUMO.

Objectivos do Red Light

  • Dar resposta ao maior número possível de mulheres e de homens que se prostituem, na sua área de actuação, freguesia de S. Paulo (Cais do Sodré) e áreas abrangentes, em termos de informação e educação para a saúde;

     

  • Fornecer conhecimento acerca da transmissão de doenças sexualmente transmissíveis e das formas possíveis de protecção;

     

  • Estabelecer contacto directo com esta população de forma a facilitar o acesso aos serviços prestados no centro de atendimento, proporcionando cuidados de saúde, apoio psicológico, social e jurídico.

Muitos de nós conhecem-na como Marlene, a amiga stripper da personagem de Alexandra Lencastre, na série televisiva Ana e os 7. O que muitos de nós não sabemos é que, na realidade, Marina Albuquerque, para preparar a sua personagem, contactou, de facto, com várias strippers e tomou conhecimento do meio em que trabalham e dos problemas que enfrentam no dia-a-dia.
Por isso, quando soube do projecto Red Light não hesitou em apadrinhá-lo. «Sinto-me muito honrada, mas tenho consciência das dificuldades que estão presentes porque não podemos ignorar as características desta população- -alvo.

Embora sendo diferente das profissionais do sexo, o que senti, quando fui falar com várias strippers para fazer o estudo da minha personagem, é que são grupos à parte e não têm apoios de qualquer espécie. Elas juntam-se e entre elas procuram dar resposta e resolver os problemas. Se existirem estes sítios onde podem assumir o que fazem durante o dia e podem desabafar o que sentem, não tenho dúvidas de que vão tocar à campainha».

Contactos: O Red Light vai funcionar nas instalações da Associação Positivo, na Rua de S. Paulo, 216, 1.º B, em Lisboa (Cais do Sodré), sendo um espaço de referência para a população-alvo e para a concretização dos seus objectivos. Tel. 21 342 14 69/70

Texto de Teresa Pires

Fonte:
Jasfarma

«São grupos à parte e não têm apoios»
publicado por SoniaGuerreiro às 15:01
tags:

Junho 2007
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11

17
19
20
21
23

24
26
28
30


Email
ainosccguerreiro@sapo.pt
mais sobre mim
Visitas
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

blogs SAPO