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Jun 07

Será que é mau as mulheres pensarem?

À primeira vista, o título até pode parecer pejorativo. O que significa pensar demais? Será que é mau as mulheres pensarem? Porquê?! Será que a saber viver se tornou uma revista machista? Calma... Não é nada disso. Mulheres que Pensam Demais é o nome de um livro, escrito por Susan Nolen-Hoeksema, uma psicóloga da Universidade de Yale que resolveu reunir, num só volume, estratégias concretas para que as mulheres se libertem dos pensamentos negativos, obsessivos e excessivos e aproveitem tudo aquilo que a vida tem para lhes oferecer (de bom, entenda-se). Passemos à prática.

 

Pensamentos caleidoscópicos

Segundo a autora, as mulheres são dotadas da capacidade de «matutar sobre tudo e sobre nada». Este «tudo e nada» abrange a carreira, a família, a saúde, a auto-imagem, as emoções e, de acordo com as conclusões resultantes de dezenas de estudos conduzidos por Susan Nolen-Hoeksema ao longo de 20 anos, pensar demais «torna a vida mais difícil – o stress que enfrentamos parece maior, temos menos probabilidade de encontrar boas soluções para os nossos problemas e a nossa reacção a esse stress será, provavelmente, mais duradoura e intensa.»

Por outro lado, o pensamento excessivo prejudica as relações com os outros, impede-nos de perceber o que podemos fazer para melhorá-las e pode contribuir para o desenvolvimento de ansiedade, depressão ou alcoolismo. O passado, o presente e o futuro são percepcionados de forma negativa e bloqueia a capacidade de encontrarmos soluções para os problemas, enfraquecendo a nossa autoconfiança.

Não pense tanto!

Para nos libertarmos das malhas do pensamento excessivo, há que tomar medidas: «Na minha pesquisa, descobri que dar às pessoas distracções positivas que as afastem do pensamento excessivo durante apenas oito minutos tem uma eficácia notável na melhoria do seu estado de espírito e na quebra dos seus ciclos de pensamento repetitivo», explica a psicóloga.

Estas distracções podem ser a prática de exercício físico, novos hobbies, brincar com os filhos ou fazer voluntariado. Atenção, pois comer compulsivamente não é considerado como uma distracção, assim como afogar as mágoas em bebidas alcoólicas!

Outra estratégia para travar os pensamentos negativos é interrompê-los, obrigando-se a fazer outra coisa: imagine que, mal se deita, uma catadupa de preocupações invade a sua cama, adquirindo vida própria, desdobrando-se em mil situações e impedindo-a de adormecer. Em vez de ficar deitada, dominada pela angústia, levante-se, vá beber água, caminhe pela casa ou leia um bocadinho. Só quando tiver a cabeça vazia é que deve regressar ao quarto.

Repartir as preocupações

Se não consegue evitar preocupar-se com determinados assuntos, reserve, diariamente, um tempo próprio para pensar sobre eles. Essa thinking hour não deve ser agendada para os minutos que antecedem a ida para a cama ou, muito menos, quando se vai deitar. Opte por escolher um período em que esteja, habitualmente, sozinha e tranquila. Decorrido o tempo de antena que deu aos problemas, pare.

Outro conselho para parar de remoer é partilhar os pensamentos excessivos com pessoas nas quais confie, que poderão ajudá-la a ver o lado positivo da questão e a vislumbrar soluções.

No entanto, Susan Nolen-Hoeksema previne que «falar com outras pessoas sobre o nosso pensamento excessivo também se pode virar contra nós. Os amigos podem limitar-se a inflamar as chamas das nossas preocupações sentando-se connosco e trocando emoções, sem nos ajudar a alcançar uma melhor perspectiva sobre os nossos problemas. A chave é aprender a reconhecer quando estamos a pensar demais com os amigos e pedir-lhes directamente para nos ajudarem a sair dos nossos pensamentos circulares e avaliar mais eficazmente as nossas preocupações e possíveis soluções.»

Realidade ou exagero

Escrever os nossos pensamentos pode ser um bom método para exorcizá-los e, de certo modo, controlá-los. Outra vantagem de passar para o papel tudo o que nos incomoda é que, quando olhamos para o que escrevemos, podemos consciencializar o quão ridículas, afinal, são as nossas preocupações (só em certos casos, claro).

Proporciona-nos, também, um certo distanciamento, permitindo-nos fazer a distinção entre o irracional e aquilo que podemos, realmente, resolver. Uma outra técnica para lidar com uma vaga de negativismo é tentar evocar momentos felizes, ouvir canções que nos façam sentir bem, olhar para fotografias de pessoas de quem gostamos muito, utilizar o nosso sentido de humor e procurar encontrar, sempre, os aspectos positivos da situação em causa.

Dica: Se, mal se deita, as preocupações invadem a sua cama, impedindo-a de adormecer, levante-se, vá beber água, caminhe pela casa ou leia um bocadinho. Só quando tiver a cabeça vazia é que deve regressar ao quarto.

 

Texto: Teresa D'Ornellas

publicado por SoniaGuerreiro às 15:06
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