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Set 07
Uma relação entre mãe e filha torna-se mais robusta quando a segunda se converte também em mãe.
Passados os anos de adolescência e juventude, a filha casa-se, e por fim chega o anúncio de que o primeiro bebé vem a caminho.
Vómitos, desmaios e náuseas fizeram a sua aparição. Então telefonou à sua mãe:
- Também tu tiveste estes sintomas?
- É claro que sim. E, ainda por cima, um dia desmaiei.
- Pois então, mãezinha…! Amo-te ainda mais do antes!
Chegou o dia do parto. A jovem mãe tinha-se mentalmente preparado para esse acto. A grande alegria do nascimento iluminou o seu rosto, todavia a dor foi inevitável. Chamou novamente pela sua mãe:
- Sentiste todas as dores, ou tiveste anestesia?
- O meu primeiro parto foi sem anestesia e sem ajuda psicológica. Conheci a dor intensa e a alegria infinita desse momento mágico.
- Pois então, mãezinha…! Amo-te ainda mais do antes!
Passada uma temporada, a bebé adoece. Os ainda recentes pais correm com ela para o Hospital pedindo urgentemente por ajuda e por um milagre. É observada pelos médicos, que lhe diagnosticam uma desidratação. A menina deveria permanecer toda a noite no Hospital, em observação, e seria encaminhada para lhe ser administrado soro.
Foi tudo aceite pelos pais, cujo único desejo era vê-la curada. As enfermeiras, quando chegaram ao quarto, pretenderam “amarrar” a menina. A mãe rogou que não o fizessem, pois não suportaria ver a sua bebé naquele estado.
Foi então informada de que era esse o procedimento natural para que a menina não conseguisse libertar-se da agulha através da qual assimilava o soro. A jovem mãe prometeu então vigiá-la durante toda a noite.
Assim o fez. Toda uma noite de vigília, observando aquela que era um pedaço de si mesma, orando e oferecendo a sua própria vida em troca da saúde daquela que era o seu grande amor.
Naturalmente, na manhã seguinte fez a óbvia chamada telefónica à sua própria mãe:
- Mãezinha, alguma vez passaste a noite de vigia, por mim?
- É claro que sim, e mais do que uma vez.
- Pois então, mãezinha…! Amo-te ainda mais do antes!
- Minha filha, lá estás tu de novo….
Aquela resposta deixou gelada a jovem mãe. Pôde então perceber que apenas vislumbrava a dor indescritível que o amor aos filhos pode gerar. Como que num remoinho, passaram por ela mil imagens do que a esperava no futuro da sua filha, e um aglomerado de recordações da sua própria infância, nas quais aparecia tantas vezes a sua mãe, vigiando, estudando, dialogando, abraçando, jogando e chorando por ela.
Descobria numa ínfima parte o grande amor que apenas começava a professar por quem até à data valorizava tanto.
Só as mães sabem o que significa amar um filho. Somente o coração de uma mãe pode enfrentar qualquer tormenta sem se amedrontar pela distância dos filhos, a falta de consciência, de agradecimento por essa entrega incondicional.
E é também esse coração de mãe que faz brotar lágrimas dos seus olhos perante o mais simples gesto amoroso oferecido pelos seus filhos num Dia da Mãe.
Lupita Venegas
Mujer Nueva
Tradução, para a Aldeia, de António Limão

 

publicado por SoniaGuerreiro às 22:32

comentários:
Muito belo. Este texto foi uma escolha excelente.
Beijinhos
Lua de Sol a 19 de Setembro de 2007 às 14:12

Obrigado, também gostei muito. Bjs
SoniaGuerreiro a 22 de Setembro de 2007 às 19:44

Bem, que belo texto!!!!
Fez-me voltar ao dias 12 de Novembro de 1995 (dia do nascimento da minha filha) e a 31 de Dezembro, data do seu primeiro, de muitos internamentos....
Magnífico!
Um beijinho
Estupefacta a 23 de Setembro de 2007 às 21:32

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