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Out 07
Pode-se dizer uma montanha de coisas sobre amamentar – barato, maravilhoso para a saúde mental e física do bebé e da mãe, prático porque não obriga a lavar e esterilizar biberãos a meio da noite, ideal para recuperar a linha depois do parte... Só ninguém pode dizer que seja fácil. É verdade que a palavra fácil nunca casa com maternidade. Mas este é um daqueles capítulos que podia ter muitos mais finais felizes.

Ao fim de 48 horas manda-se a mulher para casa, com um bebé que ainda não teve tempo para conhecer e um monte de amigos e família a dar pulos de alegria. Raramente se fala nas dificuldades que estão para vir. Ou então, repetem-se tiradas do tipo “a tua vida nunca mais vai ser a mesma”.

Há coisas mais úteis para dizer. Como, por exemplo, se tiveres fissuras no peito pede logo ajuda porque isso quer dizer que o bebé não está na posição certa. Mas não deixes de amamentar. Se tiveres uma mastite, vais precisar de medicação. Mas não deixes de amamentar. Se achares que o bebé não fica satisfeito, deixa-o mamar mais tempo porque é no fim da mamada que o leite é mais nutritrivo. Mas não deixes de amamentar. Se estiveres tão cansada que não aguentas mais, pede ao pai para lhe dar um biberão e faz uma boa noite de sono. Uma vez bem estabelecida a amamentação, o bebé não se vai esquecer de como é que se mama no peito.

Acontece que a maior parte das pessoas não sabe – nem tem que saber – estas coisas. Por isso, metade das portuguesas desiste do aleitamento materno logo no primeiro mês de vida do filho. Na Islândia, 95% das mães dá de mamar em exclusivo até aos seis meses. São melhores mães do que as portuguesas? Foram abençoadas pela genética com um leite fantástico? Não. Mas têm um truque – enfermeiros que acompanham as mães depois do nascimento.

Neste momento, em Portugal já há enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica a trabalhar em cirurgia ou outras áreas quaisquer para as quais não estudaram. Bastava pô-los a fazer o que mais gostam. Ganhavam eles, em satisfação profissional. Ganhavam as mães e os bebés, em quantidade e qualidade de vida. Ganhava o Estado, em redução de despesas com assistência a crianças com otites, diabetes e obesidade – só só para nomear algumas das doenças que se podem prevenir com o aleitamento materno.

O apoio às mães depois do parto faria muito mais pelas taxas de natalidade em Portugal do que qualquer abono de família. Quantas mulheres não desistem de ter mais filhos porque se sentiram demasiado sozinhas quando tiveram de cuidar do primeiro?

In Visão - Isabel Nery
publicado por SoniaGuerreiro às 14:02
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