20
Nov 07

Para os Pais Pensarem

Um dia, quando um homem chegou tarde a casa, cansado e irritado  apos um dia   de trabalho, encontrou esperando por si a porta o seu filho de 5 anos.
    * Papa, posso fazer-te uma pergunta?
   * Claro que sim; o que e?
   * Quanto ganhas numa hora?
   * Isso nao e da tua conta; porque me perguntas isso?! - respondeu o   homem zangado.
   * ... So para saber; por favor... va la... quanto ganhas numa  hora? -   perguntou novamente o miudo.
   * Bom... ja que queres tanto saber, ganho 10 € por hora.
   * Oh!, suspirou o rapazinho baixando a cabeca.
Passado um pouco, olhando para cima, perguntou: Papa, emprestas-me 5 € ?
O pai, furioso, respondeu: Se a razao de tu me teres perguntado isso,  foi  para me pedires dinheiro para brinquedos caros ou outro disparate qualquer,  a resposta e nao; e de castigo, vais ja para a cama. Vai pensando no menino  egoista que estas a ser. A minha vida de trabalho e dura demais para  eu  perder tempo com os teus caprichos.
O rapazinho, cabisbaixo, dirigiu-se silenciosamente para o seu  quarto e  fechou a porta.
Sentado na sala, o homem ficou a meditar sobre o comportamento do filho  e ainda se irritou mais; como se atrevia ele a fazer-lhe perguntas daquelas?
Como, ainda tao novo, ja se preocupava em arranjar dinheiro?
Passada mais ou menos uma hora, ja mais calmo, o homem comecou a ficar com remorsos da   sua reaccao. Talvez o filho precisasse mesmo de comprar qualquer coisa com os cinco euros; afinal, ate era muito raro o miudo pedir-lhe dinheiro.
Dirigiu-se ao quarto do filho e abriu devagarinho a porta.
   * Ja estas a dormir? Perguntou.
   * Nao papa, ainda estou acordado, respondeu o miudo.
   * Estive a pensar... Talvez tenha sido severo demais contigo - disse o homem. Tive um longo e exaustivo dia e acabei por desabafar contigo;
   * Toma  la os 5 € que me pediste.
O rapazinho endireitou-se imediatamente na cama, sorrindo: Oh,  papa! Obrigado! E levantando a almofada, pegou num frasco cheio de  moedas.
O pai, vendo que o rapaz afinal tinha dinheiro, comecou novamente a  ficar   zangado.
O filho comecou lentamente a contar o dinheiro, ate que olhou para o pai.
   * Para que queres mais dinheiro se ja tens ai esse? - resmungou o pai.
   * Porque nao tinha o suficiente; agora ja tenho! - respondeu o rapaz.
   * Papa, agora ja tenho 10 €, ja posso comprar uma hora do teu    tempo, nao posso? Por favor, vem uma hora mais cedo amanha; gostava tanto   de  jantar contigo...

In Forum Familia
publicado por SoniaGuerreiro às 16:26

24
Out 07
Como conseguir que o seu filho adquira confiança e segurança em si próprio...

As crianças necessitam destas duas qualidades para poderem enfrentar as dificuldades e desafios que a vida apresenta.

Quantas vezes nós, mamãs, nos interrogamos se os nossos filhos estarão preparados para enfrentar as circunstâncias complexas da vida, e se adquiriram suficientes recursos para se defenderem em situações de mudança… “Poderá adaptar-se à nova escola?”, “Passará no exame?”, “Vencerá algum dia essa timidez?”, “Conseguirá construir um futuro sólido?”.

É claro que nós, como pais, não somos alheios ao modo como eles resolvem estas e outras situações, que sem dúvida se encontram directamente relacionadas com o modelo de educação de cada família, com as capacidades próprias de cada criança e com as características da abordagem pedagógica.

A verdade é que podemos intervir em pelo menos dois destes factores, e que da qualidade das nossas intervenções também dependerá a estruturação de personalidade que a criança irá desenvolver.

Encontro e comunicação

Comecemos então por analisar o modo como acompanhamos o desenvolvimento dos nossos filhos, não como uma maneira de descartar ou de criticar o modo como o fazemos, mas para valorizar o papel de pais e articular estratégias úteis no momento de enfrentar os problemas que se colocam diariamente na educação.

Porque a confiança e a segurança que uma criança tem em si própria é construída a partir de situações reais, conflitos e desafios que no decorrer de cada dia se vão apresentando. Mas, como podemos ajudá-los para que as suas respostas e decisões sejam as mais adequadas? Desde logo, nada conseguiremos se escolhermos por eles.

A modalidade “invasora” não parece ser a mais oportuna. Por outro lado, à medida que as crianças crescem, devem a pouco e pouco distanciar-se saudavelmente dos seus papás, para progressivamente integrarem-se e desenvolverem-se no mundo dos adultos.

E depois? O objectivo está em possibilitar que a auto-estima se instale progressivamente durante a primeira infância, ultrapassando os momentos de intercâmbios e de relacionamentos (que definitivamente são sinónimos de encontro e de comunicação).

O papel do adulto

Durante os primeiros anos de vida, instalam-se as matrizes do afecto e da aprendizagem, e para potenciar essas etapas de construção e consolidação da sua personalidade, é importante apoiar, suster e reforçar a criança no seu futuro quotidiano.

E como? Atendendo às suas necessidades com prontidão, e fazendo-a sentir que pode recorrer a um adulto de confiança face a uma situação angustiante, oferecendo-lhe o nosso apoio, o nosso colo, as palavras consoladoras, o peito perante a fome, a carícia perante o arranhão, o entusiasmo para enfrentar uma situação que lhe exija muito esforço físico ou mental, a mão no ombro… Estes são os elementos carinhosos que a ajudarão.

Se, como adultos, lhe falharmos nestes aspectos, semearemos a desconfiança, a insegurança e a desmotivação. Contribuiremos para instalar na sua mente sensações e percepções confusas que farão danos nas suas potencialidades e a deixarão em desvantagem face a outras.

O apoio familiar

Nos primeiros anos as crianças são mais maleáveis e mais permeáveis às mudanças. Por isso, a vulnerabilidade da sua estrutura psíquica leva-nos a reflectir sobre o mundo das crianças e no impacto que os nossos actos e palavras lhes podem promover. Como podem ser destruídas pelo abandono e pelo desamparo e como podem ser ajudadas e amorosamente apoiadas física e psiquicamente.

Por isso, pensemos na importância que tem uma palavra adequada num momento de desentendimento, ansiedade, perante situações novas ou de surpresa.

Uma criança que pode recorrer primeiro ao amparo e à segurança corporal dos seus pais ou da pessoa que cumpre a função materna, e mais tarde consegue tornar-se independente e a pouco e pouco utilizar os seus próprios recursos, é uma criança segura que depressa se tornará num adulto satisfeito e feliz.

Limites bem colocados

Favorecer o sentimento de segurança e confiança nela própria não quer dizer que se deva apoiar tudo o que faz, mesmo que esteja errado. Poder conhecer os seus limites e os alheios é benéfico para a construção da sua personalidade.

Lembre-se que uma criança tem uma grande necessidade de aprender, e assim como a protegemos dos possíveis riscos físicos, também devemos protegê-la da eventualidade de não encontrar determinadas barreiras e limitações que definam e que contenham as suas emoções, as suas angústias e ansiedades.

Podemos começar por lhes fortalecer desde muito pequenas a sensação de que são capazes de realizar muitas coisas que aparentemente não nos parecem importantes mas que para as crianças são valiosas. Por exemplo, quando identificamos o choro de um bebé adequadamente, sabemos que tem fome e damos-lhe o peito ou o biberão, ou então porque tem cólicas, movimentamos as suas pernitas ou fazemos-lhe uma massagem na barriguinha.

Quando lhe permitimos escolher entre dois objectos em vez de lhe impor um, ela fica a saber que também pode tomar decisões. Ou ao escutá-la e valorizar os seus trabalhos - desenhos, canções, as suas criações em barro ou plasticina, a sua ajuda para pôr a mesa ou arrumar os seus brinquedos - isso propicia a sua segurança e independência.

Lembre-se que é importante fazer os possíveis para que o seu pequenito se sinta activo, participante, reconhecido nas suas capacidades e por isso, seguro de si próprio. Tudo o que conseguirem, por mais pequeno que nos pareça, provocará neles a confiança e a alegria do êxito alcançado.

E embora às vezes nos impacientemos quando os nossos filhos demoram a concretizar uma acção quotidiana, é fundamental que respeitemos os seus ritmos.

Vestir a roupa sozinho e sem ajuda implica um enorme processo… Para facilitá-lo, é boa ideia preparar dois conjuntos, de maneira que ele possa optar, evitando o desanimador “O que é que vestiste?”, cada vez que a escolha nos pareça de “mau gosto”, e assim perder o mérito de tê-lo conseguido fazer sem a nossa ajuda.

É evidente que esta situação pode estender-se a outras circunstâncias e aprendizagens. Que a criança consiga sentir-se útil, considerada como um ser pensador e sensível, depende em parte do nosso papel como pais.

Estimulá-la e apoiá-la nos seus progressos são condições fundamentais para fortalecer os sentimentos de confiança e de segurança em si própria… uma herança essencial para a longo caminho da vida.

In Sapo Bebe

publicado por SoniaGuerreiro às 14:50

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