13
Set 07
Num supermercado observo uma mãe e os dois filhos de oito e dez anos. Sem nenhuma moderação e sem consultar a mãe, os dois filhos colocam no carrinho, segundo o seu capricho, batatas fritas, latas de cola, caramelos... Eis uma mãe que não sabe dizer "não", que deixa fazer, que se deixa levar em vez de conduzir a família, uma mãe "presa" dos filhos. Faz-lhes falta tudo e a mãe inclina-se sob o pretexto da liberdade da criança. Tem medo das frustrações, tem medo de um "não". Os filhos são uns tiranos, meninos-reis e ela a servidora. Mataram a mãe.
Outro dia, assisti diante do escaparate de uma loja de brinquedos a uma cena semelhante. Uma criança fica presa perante uma locomotiva eléctrica e pede para levá-la.
A resposta construtiva consistiria em falar com a criança, fazê-la pensar, falar com ela sobre a sedução que essa locomotiva eléctrica exercia sobre ela.

"Nos meus tempos"
Dizer "nos meus tempos não tínhamos essas coisas" não tem sentido. Isso é identificar o menino com o seu pai-menino, é arrancá-lo do seu tempo.
A mãe, aqui, adoptou a única solução verdadeira: "Tens toda a razão, esta locomotiva é muito bonita e tu quere-la, mas agora não posso comprar-ta. Se ta pagasse hoje não teríamos carne ao jantar..., porque eu tenho este dinheiro e se o gasto nisso, não poderei empregá-lo noutra coisa". O menino responde: "Isso é-me indiferente, prefiro comer só pão". "Sim, mas para mim não é indiferente", responde a mãe. A criança enfrenta alguém que tem um desejo diferente do dele, que o defende e diz "não". Não o faz para aborrecer o menino, mas mostra que exerce a sua responsabilidade de adulto e que a sua oposição não é mais que a realização justa do seu próprio desejo. Existe uma hierarquia dos seus próprios desejos, que o adulto assume. O conflito entre o desejo da criança e o do adulto deve ser assumido e resolvido. E neste caso resolve-se com uma recusa.
A psicóloga Françoise Dolto escreve: "Não é bom que a criança, sob o pretexto de deixá-la desenvolver-se livremente, não encontre nunca resistência; é necessário que choque com outros desejos que não os seus, correspondentes a outras idades diferentes da sua".

Respeitadores ou débeis?
Cada vez há mais famílias em que as crianças decidem segundo o seu capricho: as raparigas mudam de vestido muitas vezes ao dia (com a consequente desordem no quarto); os rapazes não acabam nunca um jogo começado. Uns e outros refastelam-se frente à televisão, seja qual for o programa. E os pais não intervêm. Têm medo das frustrações. De facto, são uns fracos que se refugiam detrás do princípio do respeito à liberdade do menino, são pais presa dos filhos, pais que não se fazem respeitar.
Na realidade, para seu equilíbrio, a criança deve encontrar-se por vezes ante "nãos" categóricos, inclusive não necessariamente justificados, sempre que não sejam estúpidos.

Medo à chantagem
Não é necessário perguntar sempre à criança o que quer comer hoje, se quer ir dar um passeio... Para as grandes decisões, em contrapartida, é interessante formar um conselho de família, onde se coloquem, ou mesmo choquem, os diferentes desejos. Uma vez tomada a decisão, todos devem aderir a ela. Os pais serão os guardiães, os garantes desta decisão, devendo impor e recusar. Mas dir-se-ia que têm medo: medo de um aborrecimento, medo de uma oposição, medo de uma chantagem, medo de dar ordens ou de defender.
Ceder ao menor capricho, deixá-los fazer o que anseiam, é prestar-lhes um muito mau serviço para o resto das suas vidas. Na vida adulta, frequentemente há que esperar, congelar algo, deixar para amanhã o que quereríamos fazer hoje. Saber esperar e renunciar é uma condição de equilíbrio, uma condição de felicidade. A felicidade nunca vai ao encontro do desejo.
Emmanuel Mounier escreve a este respeito: "A espera  suscita sempre uma inquietação, porque suspende a vida e ameaça o porvir. A espera arranca-nos do automatismo do instinto para nos lançar a um mundo novo onde a insegurança é o preço da promessa. O instinto resiste-lhe: a criança não sabe esperar, os seus desejos exigem satisfação imediata. Deste ponto de vista, toda a educação é aprendizagem da espera."  


PIERRE GAUTHY, Pedagogo e Presidente do Conselho Belga do Ensino Básico, Europe Today

publicado por SoniaGuerreiro às 23:19
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12
Set 07
Como é que consegue estar sempre sorrindo, o que faz para estar sempre tão contente?", perguntaram não há muito tempo a uma mulher famosa e bastante sensata.

 

E ela explicou que também tinha, como todo a gente, os seus momentos de tristeza, de cansaço, de inquietude, de mal-estar.

 

"Mas conheço o remédio para esses momentos: sair de mim mesma, interessar-me pelos demais, compreender que aqueles que nos rodeiam têm o direito de nos ver alegres".

 

"Penso que quando sorrio e me mostro alegre passo felicidade aos demais. E, ao passar essa felicidade, acontece como que um reflexo, que traz mais felicidade para dentro de mim também".

 

Creio que quem não está sempre somente preocupado com sua própria felicidade e se dedica a ajudar na procura da felicidade dos outros, acaba por encontrar a sua própria, assim, quase sem se dar conta!

 

Por isso, as pessoas que se esforçam por sorrir mesmo sem motivos, acabam por ter motivos para sorrir.

 

- E isso não é vontade de se enganar a si mesmo? Para sorrir você deve alcançar um estado tal que a alegria possa invadir o seu coração. Caso contrário, isso é como uma máscara, é falso.

 

O bom humor é uma vitória sobre o próprio medo e a própria debilidade. As pessoas mal humoradas escondem sua insegurança ou sua angústia atrás de um semblante brusco e distante, e com o tempo isso acaba tornando-se um hábito e se converte em um traço de seu carácter. Quando isso acontece, é bem mais difícil que o bom humor saia naturalmente, mas isto só ocorre porque esta pessoa alterou o que é da própria natureza humana, ou seja, a alegria. Desta forma, deverá esta pessoa sair desse círculo vicioso, e isto não será antinatural, muito pelo contrário: é o que pede a natureza.

 

- Mas falas dos efeitos de medos e debilidades, e medos e debilidades todos temos...

 

Precisamente por isso, a diferença entre uns e outros está no modo de os enfrentar. O sensato é fazê-lo com um pouco de bom humor, rindo-se um pouco de si mesmo se for necessário.

 

Tudo o que se faz sorrindo sempre nos ajuda a sermos mais humanos, a moderar as nossas tendências, a sermos mais capazes de compreender os demais e até a nós mesmos.

 

É uma grande sorte ter ao redor pessoas que sabem sorrir.

 

E o sorriso é algo que cada um tem que construir pacientemente na sua vida.

 

- Construir? Com quê?

 

Com equilíbrio interior, aceitando a realidade da vida, querendo aos demais, saindo de si mesmo, esforçando se por sorrir mesmo que não tenha muita vontade como já dissemos antes. É algo que deve ser praticado com constância.

 

- Mas não se pode encarar tudo na vida com bom humor. Existem muitas coisas que não têm nenhuma graça...

 

Mas, mesmo que não tenham nenhuma graça, sempre se pode tirar delas algum ensinamento, algum bem, mesmo que seja difícil de encontrar e demoremos anos para entender. Em algumas situações, pode ser útil desenvolver a capacidade de aplicar o bom humor para neutralizar a carga trágica das contrariedades.

 

(Alfonso Alguiló)

publicado por SoniaGuerreiro às 10:15
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11
Set 07

Deus abençoe os pais maus!

Um dia, quando os meus filhos forem suficientemente crescidos para entenderem a lógica que motiva um pai, hei-de dizer-lhes:

- amei-vos o suficiente para ter perguntado: onde vão, com quem vão, e a que horas regressam a casa?

- amei-vos o suficiente para ter insistido em que juntassem o vosso dinheiro e comprassem uma bicicleta, mesmo que eu tivesse possibilidade de a comprar.

- amei-vos o suficiente para ter ficado em silêncio, para vos deixar descobrir que o vosso novo amigo não era boa companhia.

- amei-vos o suficiente para vos obrigar a pagar a pastilha que “tiraram” da mercearia e dizerem ao dono: "Eu roubei isto ontem e queria pagar".

- amei-vos o suficiente para ter ficado em pé, junto de vós, durante 2 horas, enquanto limpavam o vosso quarto (tarefa que eu teria realizado em 15 minutos).  

- amei-vos o suficiente para vos deixar ver fúria, desapontamento e lágrimas nos meus olhos.

- amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas acções, mesmo quando as penalizações eram tão duras que me partiam o coração.

- Mais do que tudo, amei-vos o suficiente para vos dizer NÃO quando sabia que me iríeis odiar por isso.

Estou contente, venci. Porque, no final, vocês venceram também. E, qualquer dia, quando os vossos filhos forem suficientemente crescidos para entenderem a lógica que motiva os pais, vocês hão-de dizer-lhes, quando eles vos perguntarem se os vossos pais eram maus ...que sim, que éramos maus, que éramos os pais piores do mundo:

- «Os outros miúdos comiam doces ao pequeno almoço; nós tínhamos de comer cereais, ovos, tostas.

- Os outros miúdos bebiam Pepsi ao almoço e comiam batatas fritas; nós tínhamos de comer sopa, o prato e fruta. E - não vão acreditar - os nossos pais obrigavam-nos a jantar à mesa, ao contrário dos outros pais.

- Os nossos pais insistiam em saber onde nós estávamos a todas as horas. Era quase uma prisão.

- Eles tinham de saber quem eram os nossos amigos, e o que fazíamos com eles.

- Eles insistiam em que lhes disséssemos que íamos sair, mesmo que demorássemos só uma hora ou menos.

- Nós tínhamos vergonha de admitir, mas eles violaram as leis de trabalho infantil: tínhamos de lavar a loiça, fazer as camas, lavar a roupa, aprender a cozinhar, aspirar o chão, esvaziar o lixo e todo o tipo de trabalhos cruéis. Acho que eles nem dormiam a pensar em coisas para nos mandarem fazer.

- Eles insistiam sempre connosco para lhes dizermos a verdade, apenas a verdade e toda a verdade.

- Na altura em que éramos adolescentes, eles conseguiam ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata.

- Os pais não deixavam os nossos amigos buzinarem para nós descermos. Tinham de subir, bater à porta, para eles os conhecerem.

- Enquanto toda a gente podia sair à noite com 12, 13 anos, nós tivemos de esperar pelos 16.

- Por causa dos nossos pais, perdemos imensas experiências da adolescência. Nenhum de nós, alguma vez, esteve envolvido em roubos, actos de vandalismo, violação de propriedade, nem foi preso por nenhum crime. Foi tudo por causa deles.  

Agora que já saímos de casa, somos adultos, honestos e educados; estamos a fazer o nosso melhor para sermos "maus pais", tal como os nossos pais foram».

 

(Autor desconhecido)

publicado por SoniaGuerreiro às 23:12
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