08
Jan 08
publicado por SoniaGuerreiro às 09:42

05
Dez 07

“Doce Desintoxicação” e outras estratégias para abolir o cansaço

Há tanto que fazer mas infelizmente parece que andamos sempre a lutar contra o cansaço! Mas veja como acabar com o problema eficazmente!

Melhorará esse mal substancialmente se durante 2 meses seguir estas sugestões:

Não aos alimentos refinados:
Evite ao máximo tudo o que tenha açúcar refinado - tal como os biscoitos, bolachas, bolos secos ou com creme, refrigerantes e outras bebidas doces, gelados, chocolates, cereais de pequeno almoço açucarados, sobremesas e guloseimas várias, etc. - pelo menos nesses 2 meses, para ver como se sente.

Alimente-se Melhor:
Escolha uma alimentação rica em verduras (tomate, cenouras, espinafres, bróculos), fruta (bananas, kiwis), peixe gordo (salmão, atum, carapaus), oleaginosas (nozes), cereais e derivados integrais, ou pouco refinados (aveia, cevada), leguminosas (feijões, grão, tofu), azeite, muita água e chás (chá verde, branco ou preto) e muito pouca carne e aves.
Como complementos a uma alimentação melhorada, pode tomar ginseng coreano ou siberiano (Panax ginseng ou Eleuthrococcus), pois são tonificantes que ajudam a combater o desgaste físico e mental. Pode ainda tomar um multivitamínico ou complexo de vitaminas B.

Comida Caseira: Cozinhe Mais e Melhor:
Deve optar por métodos saudáveis de cozinhar os alimentos, tal como a vapor ou salteados, usando pouco sal e o mínimo de frituras e molhos gordurosos; molhos de tomate são muito bons, com azeite e ervas aromáticas. Deve por isso, comer mais em casa.
Pode comer verduras/hortícolas cruas, que são muito energizantes.

Mexa-se Regularmente para Mais Energia:
Também deve durante este período, fazer exercício físico regular, tal como caminhadas 5 a 7 vezes por semana, de 20 a 60 minutos. A regularidade aqui é de especial importância. Isto ajuda a utilizar melhor os açucares do sangue, ajuda-a num sono repousante, ajuda na circulação, o que pode melhorar as comuns dores de cabeça, e diminui o stress aliado à vida em geral.
Quanto mais exercício dermos ao nosso corpo, mais energia temos, o que é interessante. Experimente e sinta a diferença.

Dormir, Relaxar e Respirar Melhor:
Também pode estar a precisar de mais horas de sono repousante, e conseguirá isso deitando-se mais cedo, dormindo sem interrupções e num ambiente mais escuro. Deve evitar cafeína, tabaco e grandes comezainas e muito esforço físico, sobretudo ao final do dia.
Deve aprender técnicas de relaxamento e de respiração, por exemplo faça umas aulas de ioga. Vários ciclos de respiração 4-7-8 é muito energizante: inspira em 4 tempos, mantém o ar em 7, e expira fundo em 8.

RESULTADOS: Aconselho um período mínimo de 2 meses, porque estas mudanças suaves levam o seu tempo a surtir efeitos. Mas os efeitos são duradouros, porque entretanto adquirimos melhores hábitos de vida!

In Sapo Saude

publicado por SoniaGuerreiro às 11:14

21
Nov 07
A coisa mais injusta da vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás para frente. Nós deveríamos morrer primeiro, livrarmo-nos logo desse peso. Depois viver num asilo, até sair de lá para fora por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Trabalhar 40 anos até ficar novo o suficiente para poder aproveitar a reforma. Curtir muito, beber bastante álcool, fazer festas e preparar-se para a faculdade. Ir para a escola, ter várias namoradas, ser criança, não ter nenhuma responsabilidade, tornar-se um bebezinho de colo, voltar para o útero da mãe, passar os seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um óptimo orgasmo! Não seria perfeito?
Charles Chaplin
publicado por SoniaGuerreiro às 15:23

20
Nov 07

Uma lição sobre a VIDA

Um professor de filosofia, diante da sua turma, sem dizer uma palavra pegou num frasco grande de mayonaise, mas vazio e começou a enchê-lo com bolas de golfe.

A seguir perguntou aos estudantes se o frasco estava cheio. Todos estiveram de acordo em dizer que "sim".

O professor agarrou então numa caixa de fósforos e a vazou todos os fósforos dentro do frasco de mayonese.

Os fósforos preencheram os espaços vazios entre as bolas de golfe. O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltaram a responder que "Sim".

Após a resposta, o professor pegou uma caixa de areia e a vazou alguma para dentro do frasco. Obviamente que a areia encheu todos os espaços vazios e o prof. questionou novamente se o frasco estava cheio. Os alunos responderam-lhe com um "Sim" retumbante.

O professor em seguida adicionou duas chávenas de café ao conteúdo do frasco e preencheu todos os espaços vazios entre a areia.

Os estudantes riram-se nesta ocasião. Quando os risos terminaram, o professor comentou:
"Quero que percebam que este frasco é a vida. As bolas de golfe são as coisas importantes: a família, os filhos, a saúde, a alegria, os amigos, as coisas que vos apaixonam. São coisas que mesmo que perdêssemos tudo o resto, a nossa vida ainda estaria cheia.

Os fósforos são outras coisas importantes, como o trabalho, a casa, o carro, etc. A areia é tudo o resto, as pequenas coisas.

"Se tivéssemos colocado primeiro a areia no frasco, não haveria espaço para os fósforos, nem para as bolas de golfe. O mesmo ocorre com a vida. Se gastarmos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teremos lugar para as coisas que realmente são importantes. Presta atenção às coisas que realmente importam.

Estabelece as tuas prioridades, e o resto é só areia."

Um dos estudantes levantou a mão e perguntou: - Então e o que representa o café?
O professor sorriu e disse: " Ainda bem que perguntaste isso!

O café é só para vos mostrar que por mais ocupada que a nossa vida possa parecer, há sempre lugar para tomarmos um café com um amigo ".

In Forum da Familia

publicado por SoniaGuerreiro às 16:02

30
Out 07
Está explicada a vida!

Eis a explicação da vida.
No primeiro dia, Deus criou a vaca.
Deus disse:
"Tens que ir para o campo com o agricultor durante todo o dia e sofrer debaixo do sol, e dar leite para sustentar o agricultor. Eu dar-te-ei uma vida de 60 anos.
"A vaca disse:
É uma vida dura que tu queres que eu viva durante 60 anos. Dá-me somente 20 e eu devolvo-te os outros 40".
E Deus concordou.

No segundo dia, Deus criou o cão. E disse:
"Senta-te todo o dia perto da porta da tua casa e ladra para qualquer pessoa que entre ou que passe por perto. Eu dar-te-ei 20 anos de vida."
O cão disse:
"Isso é muito tempo para estar a ladrar. Dá-me somente 10 e eu devolvo-te os outros 10".
Deus concordou.

No terceiro dia, Deus criou o macaco:
E disse:
"Distrai as pessoas, faz truques de macaco e fá-los rir muito. Eu dar-te-ei 20 anos de vida"
O macaco disse:
"Que cansativo, truques de macaco durante 20 anos!? Acho que não. O cão devolveu-te 10 anos e é o que eu vou fazer também, ok?"
Deus concordou.

No quarto dia, Deus criou o Homem.
Deus disse:
"Come, dorme, brinca, faz sexo, diverte-te. Não faças nada, simplesmente diverte-te. Eu dar-te-ei 20 anos de vida".
O Homem disse:
"O quê!? Só 20 anos? Nem pensar! Vamos fazer o seguinte: eu fico com os 40 anos que a vaca devolveu, com os 10 do cão e os 10 do macaco. Isso faz 80.  Pode ser?".
"Ok", disse Deus. "Negócio fechado."

É por isso que durante os primeiros 20 anos comemos, dormimos, brincamos, praticamos sexo, divertimo-nos e não fazemos nada.  Os 40 anos seguintes, sofremos ao sol para sustentar a nossa família, os 10 seguintes fazemos figura de macaco para entreter os nossos netos, e os últimos 10 anos sentamo-nos na varanda e ladramos a toda a gente.

Está explicada a vida!
 


publicado por SoniaGuerreiro às 19:35
tags: ,

14
Jun 07

«Andar na vida com uma vida melhor»

«São mulheres e homens, alguns quase meninos, provenientes de diversos lugares, de famílias problemáticas, vítimas do alcoolismo, da violência, da droga, do desemprego e do abandono. Encontramo-los pelas ruas, agora já sem se restringirem à actividade nocturna, mas totalmente expostos a qualquer hora do dia.»
É desta forma que o Dr. Amílcar Soares, da Associação Positivo – Grupos de Apoio e Auto-Ajuda, nos descreve e alerta para o mercado da prostituição que cresce vertiginosamente pelo País, mas mantendo a tendência de centralizar-se nas grandes cidades.
E é numa aposta de apoio e solidariedade para com esta população, à parte de tudo e de todos, que a associação desenvolveu o Red Light, um espaço de apoio e informação a trabalhadores do sexo.

Para Amílcar Soares, «a importância deste projecto reflecte a minha preocupação e de toda a equipa face ao mundo da prostituição, visível todos os dias, sempre que vamos para a Positivo ou voltamos para casa, no fim do dia. É difícil ficar indiferente a esta situação quando somos confrontados com ela todos os dias».

Com o lema «Andar na vida, com uma vida melhor», o Red Light «não pretende interferir com as liberdades individuais, nem com o direito de escolha de cada um. O que se deseja é que, ao informar e disponibilizar formas de apoio e tratamento, se possa produzir modificações de comportamento que levem à diminuição de riscos, à prevenção e a uma maior consciência do indivíduo sobre os seus direitos à saúde».

Para prestar este serviço, o Red Light conta com uma equipa multidisciplinar, nomeadamente um médico, uma enfermeira, uma psicóloga e uma técnica de serviço social, e, sempre que necessário, podem recorrer à extensão do Centro de Saúde da Graça, na Rua do Alecrim, que abrange a população da freguesia de São Paulo.
A Dr.ª Antónia Jourdan, directora do Centro de Saúde da Graça, manifestou assim o seu apoio ao projecto afirmando a «disponibilidade para ajudar, quer a Associação Positivo, quer os seus intervenientes, quer as utentes do Red Light». CNLCS financia Red Light Desde o início que este projecto foi acompanhado pela Comissão Nacional de Luta Contra a SIDA (CNLCS), que, ao aperceber-se das suas potencialidades, não hesitou em financiá-lo, integrando-o no âmbito do Programa de Financiamento ADIS/SIDA.

Este programa privilegia as associações sem fins lucrativos, como é o caso da Associação Positivo, e tem como áreas prioritárias o apoio social e extra- -hospitalar e a prevenção. Nesta última, dá-se prioridade de financiamento a projectos que pretendam intervir junto de grupos de maior vulnerabilidade, sem apoio de retaguarda e com carência de informação e serviços. De acordo com a Dr.ª Carla Martingo, da CNLCS, «este projecto foi escolhido para ser financiado pela comissão pelo tipo de resposta que dá a populações um pouco marginalizadas dos serviços oficiais, seja de saúde ou sociais.

Com equipas multidisciplinares, o Red Light pode dar o apoio de que estas mulheres precisam e que, muitas vezes, poderá ser mesmo o único a que têm acesso porque não têm retaguarda familiar e têm, por exemplo, problemas com a toxicodependência. Além disso, criar um espaço próprio para elas contribui, também, para aumentar a sua auto-estima. Apelar para a auto-estima e dignidade destas mulheres foi também o objectivo da campanha publicitária, concretizada pela agência SUMO.

Objectivos do Red Light

  • Dar resposta ao maior número possível de mulheres e de homens que se prostituem, na sua área de actuação, freguesia de S. Paulo (Cais do Sodré) e áreas abrangentes, em termos de informação e educação para a saúde;

     

  • Fornecer conhecimento acerca da transmissão de doenças sexualmente transmissíveis e das formas possíveis de protecção;

     

  • Estabelecer contacto directo com esta população de forma a facilitar o acesso aos serviços prestados no centro de atendimento, proporcionando cuidados de saúde, apoio psicológico, social e jurídico.

Muitos de nós conhecem-na como Marlene, a amiga stripper da personagem de Alexandra Lencastre, na série televisiva Ana e os 7. O que muitos de nós não sabemos é que, na realidade, Marina Albuquerque, para preparar a sua personagem, contactou, de facto, com várias strippers e tomou conhecimento do meio em que trabalham e dos problemas que enfrentam no dia-a-dia.
Por isso, quando soube do projecto Red Light não hesitou em apadrinhá-lo. «Sinto-me muito honrada, mas tenho consciência das dificuldades que estão presentes porque não podemos ignorar as características desta população- -alvo.

Embora sendo diferente das profissionais do sexo, o que senti, quando fui falar com várias strippers para fazer o estudo da minha personagem, é que são grupos à parte e não têm apoios de qualquer espécie. Elas juntam-se e entre elas procuram dar resposta e resolver os problemas. Se existirem estes sítios onde podem assumir o que fazem durante o dia e podem desabafar o que sentem, não tenho dúvidas de que vão tocar à campainha».

Contactos: O Red Light vai funcionar nas instalações da Associação Positivo, na Rua de S. Paulo, 216, 1.º B, em Lisboa (Cais do Sodré), sendo um espaço de referência para a população-alvo e para a concretização dos seus objectivos. Tel. 21 342 14 69/70

Texto de Teresa Pires

Fonte:
Jasfarma

«São grupos à parte e não têm apoios»
publicado por SoniaGuerreiro às 15:01
tags:

17
Abr 07

Lista de despesas dos pais desde os primeiros meses de vida até à Universidade

Do nascimento aos 25 anos, das fraldas à universidade, criar um rebento pode chegar aos 678 mil euros. Se o amor por um filho não se mede em números, o mesmo não se pode dizer dos gastos com a sua educação. As crianças nascem e crescem. E as despesas crescem com elas.

À dúzia nem sempre sai mais barato. Que o digam Ana e Zé Luís Vaz e Gala, progenitores de uma rara escadinha de doze filhos que enche o duplex da sua casa de Campo de Ourique, em Lisboa, baluarte de desenhos nas paredes, corridas em patins, barulho das tropelias e disputa saudável da televisão. Uma conta muito desejada, atípica nos dias que correm, que exige peso, medida, pulso firme, jogo de cintura e muita ginástica para manter em ordem o orçamento do mês.

“Era o nosso projecto de vida ter uma família numerosa mas não estipulámos uma quantia. Antes de os termos não tínhamos ideia nenhuma de quanto custariam. Quando nos casámos não ganhávamos muito, cerca de 60 contos cada um”, explica Ana, uma médica de 46 anos com tarefas reduzidas às consultas domiciliárias.

“Morávamos numa casa com duas assoalhadas. Quando nasceu o quarto filho mudámo-nos para uma de quatro. Morámos nessa até há dois anos, já lá viviam 12 pessoas. Parecia um daqueles filmes neo-realistas italianos!”, acrescenta o patriarca do clã, professor de História e Português do 2.º ciclo, com 45 anos.

A aventura do casal, um dos sócios fundadores da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, começou há quase 20 anos. Os tempos eram outros e as dificuldades também. “As coisas estão extremamente caras. Se tivessemos esta família em 87 era mais fácil”. A fase de menor pressão doméstica durou apenas três anos, durante os quais o rendimento mensal de 2000 euros chegou a atingir os 5000, quando Zé Luís integrava uma comissão de serviço na Câmara Municipal de Lisboa. Ana tirou uma licença sem vencimento e ficou desvinculada do Centro de Saúde da Amora. Prevê regressar ao activo em breve. “Os miúdos ficavam apenas com uma empregada durante o dia, quase em autogestão”, recorda o casal.

O descendente mais velho faz 19 anos em Novembro, a última inquilina acaba de fazer um ano. Filipa, Francisco, Isabel, Maria, Luís, Acílio, Paula, Pedro, Teresa, Ana Maria, João e Zé habituaram-se ao substantivo ‘partilha’. As roupas, livros, brinquedos passam de mão em mão, os quartos acomodam dois ou três irmãos e os pedidos de aniversário aliam o útil ao agradável, como uma mochila nova para o ano lectivo que acaba de chegar. “Têm que aprender a dar valor ao dinheiro. Se vemos que querem algo necessário, fazemos os possíveis para que o tenham, se for secundário, fica para depois. Por paradoxal que pareça, a gestão tornou--se mais fácil, cada um já sabe o seu papel”, explicam os pais.

É em Setembro que o orçamento familiar mais se ressente, com os custos inerentes ao regresso às aulas. A aquisição dos manuais escolares é apenas um dos investimentos incontornáveis e aquele que maior rombo provoca. Mera ponta do icebergue, já que os gastos começam cedo, antes mesmo do primeiro choro do bebé.

No capítulo escolar, os Vaz e Gala são peremptórios. “O infantário é sempre oficial, depois optamos pelo privado. Quando terminam o 12.º ano, têm que entrar numa universidade pública. Este ano, entram os dois mais velhos: vão para Engenharia e Gestão”. E não é preciso ter uma licenciatura em Matemática para perceber que a soma das parcelas dá um valor exorbitante. “Cada um deles precisa em média de 10 livros escolares, a cerca de 15 euros. Dá 80 livros...” Este é apenas um dos cálculos capaz de pôr a cabeça a andar à roda. “Já nem sei fazer contas! E poupar no final do mês é completamente impossível...”, desabafa Ana.

QUANDO A FAMÍLIA CRESCE

Quando a família cresce, não é só a casa que tem que esticar. Os gastos domésticos aumentam com essa escalada. Electricidade, gás, água, supermercado são algumas das contas que disparam. “Não faz sentido pagar um ‘x’ de água e passar logo para o escalão empresarial, como nos aconteceu. Já conseguimos uma redução. As famílias não devem ser penalizadas. De ano para ano, notam-se menos apoios”.

Nem tudo são espinhos. Pequenos incentivos suavizam os encargos domésticos. Para além do “subsídio único simbólico por nascimento, recebemos um apoio financeiro do Ministério da Educação, que tem um protocolo com algumas instituições particulares. Temos redução de 40% no colégio”, diz Zé Luís. “Recebemos 4500 euros por 10 filhos, mas cobre muito pouco das despesas. O abono de família anda à roda de 60 contos por mês. Na Bélgica ou na França tínhamos direito a outro ordenado!”, destaca Ana.

Também se abrem outras janelas de oportunidade. Auxílios que completam o cabaz de apoios, produto da rede de solidariedade estabelecida com casais amigos. “Aproveitamos os descontos nas papelarias de bairro, as promoções nos hipermercados, etc. As famílias numerosas também têm defesas. Ao nível de transportes, da roupa, livros. Passam de uns para os outros, temos muita coisa herdada e trocamos coisas com outras famílias. A sociedade civil deve tornar-se mais activa”, defendem, sem arrependimentos pelo núcleo alargado. “Já não conseguia viver de outra forma!”, confessa Ana.

Noves fora, afinal quanto custa um filho? Apesar de alguns ‘anticorpos’ de-senvolvidos pelas famílias, estas não ficam imunes a uma despesa de suster o fôlego. Se o retorno de ter uma criança, ou mais, não tem preço, o investimento é tudo menos uma bagatela. João de Melo, economista, professor na Universidade de Coimbra, pai de quatro filhos, puxou dos galões da calculadora para estudar os gastos inerentes à sua educação, do nascimento aos 25 anos. Os números finais falam por si. Entre 211 e 678 mil euros é quanto pode sair das carteiras dos papás. É caso para dizer: “Meu filho, meu tesouro.”

“Fiz um cálculo de quanto custa um filho para a classe média, alta e baixa, para duas famílias com rendimentos líquidos mensais diferentes. Uma na casa dos 4000 euros, e uma outra simulação para um rendimento de 1750 euros. Ponderei a hipótese de ambos os pais trabalharem e de os filhos permanecerem em casa até aos 25 anos”, explica o autor do estudo ‘Quanto Custa um Filho’, apresentado há dois anos em Coimbra, que contempla aspectos como a habitação, alimentação, vestuário, transportes, saúde, educação e outras despesas residuais, juntamente com perdas adicionais de rendimentos para os pais trabalhadores. “Não considerei alguns ‘benefícios’ financeiros que ter filhos acarreta, como o abono de família, a dedução específica, por filho, que o IRS permite, os abatimentos à colecta (sempre superiormente limitados) das despesas de educação, de saúde. Mas é fácil reconhecer que os montantes de sinal positivo não representam mais do que uma pequena gota de água face aos custos”, sublinha ainda o economista.

Para Alice, de oito meses, os únicos mandamentos, que segue como ninguém, são comer e dormir. A actividade mais enérgica para breve será a natação. Para os pais, que viram a união de facto agraciada com a chegada da menina, as notas começaram a voar da carteira muito antes das primeiras braçadas da filhota. As fraldas, papas e chupetas dominam o quotidiano de Olga Costa e Rodolfo Correia, um casal ‘low budget’ de Arruda-dos-Vinhos, atento às oportunidades que fazem render o peixe com que se governam. “Queríamos ter um filho, mas não foi planeado. Na altura em que engravidei estava desempregada e não tive direito a licença de maternidade. Quando ela fez três meses deixei-a com a minha mãe. Se fosse para um infantário não conseguíamos”, conta a assistente administrativa, de 23 anos. “É indiscutível que a educação custa muito dinheiro. Vamos pagando aos poucos e nem nos apercebemos. As coisas não estão fáceis mas acredito que é possível. Ter trabalho fixo já é muito bom”, confessa Rodolfo, 27 anos, técnico profissional de reprografia. “Gastamos quinze euros por cada lata de leite, de três em três semanas, as fraldas é mais ou menos a mesma coisa, toalhitas a seis euros, mais cosmética, shampô, gel de banho... é tudo caríssimo, a 21% de IVA, e nada se mete no IRS. São considerados produtos de luxo. Os 80 euros de abono por mês cobrem as despesas correntes, mas falta sempre qualquer coisa”, lamenta a mãe.

NOVAS ALTERNATIVAS

O ritmo de vida mudou e com ele impuseram-se novas alternativas. Cortar nas despesas é a palavra de ordem e não basta comprar bonito. É preciso comprar barato. “A roupa é um balúrdio e dura dois meses. Uma peça que não chega a meio metro custa mais do que uma peça para nós. Não temos paranóia das marcas, até porque seria impossível”. O público fala mais alto do que o privado, tanto em educação como em saúde. O médico de família faz as vezes do pediatra e o infantário em vista é oficial. Tudo o que permite amealhar tostões tem primazia, mesmo que obrigue a percorrer três supermercados diferentes em busca dos preços mais convidativos. “Optámos por um carro a gás. Apostamos na energia alternativa e sai muito mais barato. Atestamos por metade do preço da gasolina. Cortámos nos jantares fora de casa, nas idas ao cinema. Assim que recebemos compramos coisas para ela”. Obrigações que adiam o retorno da cegonha. ”Não penso ter outro filho tão cedo. Talvez daqui a dez anos, se estivermos mais estáveis. Como não temos muito dinheiro, queremos dar a esta tudo o que podemos. É fundamental estar informado e não desesperar!” Mesmo para quem não é barra em contabilidade, critérios como planear e controlar são determinantes para uma vida desafogada e equilíbrio das finanças caseiras. Henrique Fonseca, monitor na área de orçamento familiar no CENOFA, Centro de Orientação Familiar, reforça a ideia de “mensalmente fazer um orçamento e de as despesas serem inferiores às receitas”. A necessidade de as famílias introduzirem critérios de rigor e autoplaneamento nas suas contabilidades passa, precisamente, por uma das questões fundamentais, a educação. “A pressão e obsessão com a educação ainda vai crescer mais no futuro. Cada vez começa mais cedo, no infantário. As pessoas querem escolher o melhor para os filhos, já que hoje em dia uma licenciatura não basta.”

Imperativo básico é o de tomar decisões, sendo que também elas têm um preço. “Aconselhamos a acautelar o futuro, falamos de regras práticas ao nível das contas de água, luz, supermercado, etc. Os filhos trazem a necessidade de fazer opções. Por exemplo, optei pelo ensino privado mas nunca fomos às Sheichelles e só trocamos de carro de cinco em cinco anos. Os filhos trazem uma série de custos, com a agravante de serem dois ou três ou mais. A casa já não dá, o carro também não, a logística de férias é outra...”, salienta Henrique, pai de sete filhos. Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão, daí a necessidade de apertar o cinto, redefinir prioridades e aderir a um modelo de organização quase empresarial, tentando tirar partido de algumas regalias. “Escolas e universidades onde a mensalidade é mais barata se lá tivermos mais do que um filho”, exemplifica o monitor.

A vida em família pode tornar-se uma maratona pela subsistência. A saída, segundo os especialistas em economia doméstica, é calcular os riscos e tirar proveito das oportunidades, sabendo de antemão que é necessário abrir mão de muitos projectos. Se o investimento global daria para satisfazer um punhado de sonhos, como uma casa luxuosa, automóveis topo de gama ou viagens à volta do Mundo, a maioria vê estas fantasias por um canudo.

Os bracarenses Maria Emília Marques e Narciso Gomes não são excepção. Gerentes comerciais, com 39 e 42 anos, contentam-se com as férias no Algarve, aproveitam as épocas de saldos e recorrem ao médico de família sempre que possível. Para que os quatro filhos possam ter uma educação esmerada, norteiam-se pelo ensino privado, esperançados num maior acompanhamento por parte de professores, educadores e técnicos auxiliares. “É sobretudo por causa da Joana, que tem dificuldades de aprendizagem e precisa de acompanhamento e programa de educação especial: começou por frequentar o ensino público, mas o apoio nunca foi efectivo”, diz o pai.

Para a família este é um novo ano de testes ao nível das despesas com a educação do benjamim Miguel, com oito meses, de Maria, 8 anos, André, 15, e Joana, com 16. Até agora, tinham três filhos no mesmo colégio e conseguiam um apoio de cerca de 50% da despesa mensal. Mas este ano André passou para o 10.º ano e transitou para outro estabelecimento. “Vamos ver até onde conseguimos ir. A formação dos filhos é fundamental e temos de lutar o máximo para lhes garantir a melhor formação que lhes pudermos disponibilizar”. Para já, cada coisa a seu tempo. Narciso e Emília não querem sequer pensar na universidade. “Isto é tipo uma escala. Cada ano, os encargos são maiores”.

Apesar do volume elevado de despesas, e do abono de 25 euros por filho, o casal não se arrepende do tamanho da prole, sem grandes planos para a engrossar ou colocar-lhe um travão. “Perde-se umas coisas, mas ganha-se outras. Podíamos ter outro tipo de vida, sair mais vezes e entrar noutro ritmo mais despesista. Mas assim temos uma vida mais familiar, almoçamos e jantamos em casa, há uma entreajuda muito grande entre todos nas tarefas diárias. Aprendemos a crescer uns com os outros e mais unidos. Viver assim, no meio desta sociedade tão materialista, dá-nos uma maior valorização da dimensão humana e uma grande estabilidade”.

SIMULAÇÃO PARA DUAS FAMÍLIAS

FAMÍLIA BETA (Coimbra)

RENDIMENTOS

Classe média/alta: o pai é professor universitário, e a mãe é técnica superior da Função Pública, a exercer um cargo de chefia. O rendimento mensal líquido total do casal Beta é 4200 euros.

HABITAÇÃO

Reside numa zona central da cidade, onde cada metro quadrado de habitação vale 2000 euros; cada filho implica mais 25m2 de casa (qualquer coisa como 50 mil euros, um equivalente a 1500 euros por ano).

Valor total ao fim dos 25 anos: 36 000 €

ALIMENTAÇÃO

O filho ingere três refeições por dia (custo unitário médio de 3 euros). Nos três primeiros anos o gasto é 60% deste montante; dos 9 aos 11 chega aos 90%. Depois vigora o valor “normal”.

Valor total ao fim dos 25 anos: 72 270 €

TRANSPORTES

Dos 3 aos 17, implica 40 km diários de deslocação em automóvel. No total isto representa 2600 euros ano; a partir dos 18 anos, dão um automóvel aos filhos e o custo de transporte passa para 5000 euros/ano.

Valor total ao fim dos 25 anos: 77 000 €

VESTUÁRIO

Compram a maioria da roupa em lojas “de marca”, de vez em quando nos saldos. O valor é maior entre os 12 e os 17 anos, quando as despesas anuais rondam os 1010 euros. Nos 6 primeiros anos gastam 60% desse valor.

Valor total ao fim dos 25 anos: 20 200 €

SAÚDE

Dados os actuais níveis de comparticipação da ADSE, e supondo um filho razoavelmente saudável, a média anual ronda os 400 euros para as despesas com médicos, dentistas, medicamentos e exames.

Valor total ao fim dos 25 anos: 10 000 €

A FACTURA MAIS PESADA: EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO

Até aos 3 anos, a criança é cuidada por uma ama (500 euros/mês). Depois frequenta um jardim infantil (com uma mensalidade de 300 euros). Segue-se um colégio privado dos 6 aos 17 (que pode custar até 5000/ano), mais várias actividades extracurriculares (300 euros/mês), mais 400 euros/ano em material de apoio. A partir dos 17 anos, o filho entra numa universidade pública, em Lisboa, onde paga 700 euros anuais de propinas. Os pais investem ainda cerca de 300 euros em despesas de alojamento.

Valor total ao fim dos 25 anos: 169 500 €

OUTRAS DESPESAS

Cada filho implica um acréscimo de gastos anuais em electricidade, água, roupa de cama, telefone, consumíveis diversos, etc. Supõe-se que isso vale 2 euros por dia até aos 12 anos e 3 euros por dia até aos 24.

Valor total ao fim dos 25 anos: 22 995 €

VALOR TOTAL

(Quase 140 mil contos, sem considerar o rendimento perdido, cerca de 270 900 euros, correspondentes ao número de horas despendidas com os filhos que poderiam ser canalizadas no emprego, no aproveitamento de horas extras e progressão de carreira profissional). Ao fim de uma vida de trabalho, 36 anos, o casal Beta terá ganho 2.160.000 euros.

31% desse rendimento será usado para pagar as despesas de criação e educação do seu filho único.

Custo Total: 678 875 €

FAMÍLIA ALFA (Cacém)

RENDIMENTOS

Classe média/baixa. O pai é técnico de manutenção de máquinas de frio numa empresa de Lisboa, e a mãe é assistente administrativa na Câmara de Odivelas. Rendimento mensal líquido total: 1700 euros.

HABITAÇÃO

Reside junto à linha de Sintra, onde cada metro quadrado de habitação vale 1000 euros; cada filho implica mais 15m2 de casa (o valor ronda os 15 mil euros, equivalentes a 450 euros por ano).

Valor total ao fim dos 25 anos: 10 800 €

ALIMENTAÇÃO

O filho ingere três refeições por dia (o que representa um custo unitário médio de 1,5 euros, metade dos Beta). Nos três primeiros anos o gasto é 60% deste montante; dos 9 aos 11 atinge também os 90%.

Valor total ao fim dos 25 anos: 36 146 €

TRANSPORTES

A família vai no seu carro para o centro de Lisboa. Com o filho, até aos 15 anos, fazem todos os dias mais 10 km. No total, isto representa 650 euros ano; a partir dos 14 anos, o filho gasta 45 euros/mês em transportes públicos.

Valor total ao fim dos 25 anos: 15 040 €

VESTUÁRIO

Compram a maioria da roupa em hipermercados e feiras, quase sempre nos saldos. Entre os 12 e os 17 anos, as despesas médias anuais 480 euros/ano. A partir dos 18 anos, ambas gastam apenas 80% desse valor de referência.

Valor total ao fim dos 25 anos: 9600 €

SAÚDE

Supondo que o filho não apresenta problemas excepcionais de saúde, estima-se uma média anual de 300 euros para cobrir as mesmas despesas relativas à família Beta nesta área.

Valor total ao fim dos 25 anos: 7500 €

A FACTURA MAIS PESADA: EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO

Até aos 6 anos, a criança permanece numa creche subsidiada (mensalidade de 100 euros). Depois ingressa no ensino oficial, gratuito, até aos 17. Com um grande esforço, no entanto, os pais Alfa pagam explicações nos últimos 3 anos (250 euros por mês). A partir dos 17 o filho entra numa universidade privada, em Lisboa, onde paga 3000 euros de propina anual durante os quatro anos de duração média do curso. Os papás inscrevem o filho em apenas uma actividade extracurricular, que consome mensalmente uma média de 100 euros.

Valor total ao fim dos 25 anos: 51 600 €

OUTRAS DESPESAS

Calcula-se que isto representa 1,5 euros (metade dos gastos da família Beta) por dia até aos 12 anos e 2 euros por dia até aos 24. Entre os 0 e os 11 as despesas atingem logo os 548 euros anuais.

Valor total ao fim dos 25 anos: 16 060 €

VALOR TOTAL

(Mais de 42 mil contos, sem considerar as perdas de rendimento para o casal, qualquer coisa como 64 500 euros, por também eles prescindirem de algum tempo despendido no trabalho, que poderia fazer a diferença na valorização do seu pecúlio no final do mês)

Ao fim de 36 anos de trabalho, o casal Alfa terá ganho cerca de 900 000 euros. 23% desse rendimento será usado para pagar as despesas de criação e educação do seu filho único.

Custo Total: 211 246 €

E QUANDO A FAMÍLIA CRESCE AINDA MAIS?

Haverá economias de escala na dimensão familiar (isto é, quanto mais filhos menos caro fica cada um)? Em algumas despesas, claro que sim: um pai que passa uma hora por dia com o filho não passará 4 horas por dia com os quatro filhos! Alguns livros escolares podem passar de irmão para irmão

há roupa que passa de irmão para irmão, muitas das viagens para transportar crianças podem combinar os trajectos de mais de um filho Mas na grande maioria das despesas não há economias de escala!

FAMÍLIA VAZ E GALA: 12 FILHOS

Rendimento mensal: 2000 euros

Abono: 4500 euros/mês

Habitação: 900 euros de renda mensal, duplex, sete assoalhadas, em Lisboa

Alimentação: cerca de 400 euros/mês

Transportes: 2 carrinhas, 70 euros por semana em gasolina

Saúde: despesas apenas de dentista e farmácia

Escola: 150 euros para todos + 80 livros * 15 euros

Vestuário: beneficiam da economia de escala e das trocas com outros casais

Férias: em casa de familiares em Oliveira do Bairro, e na zona de Lisboa

FAMÍLIA COSTA E CORREIA: 1 FILHA

Rendimento mensal: 1200 euros

Abono: 80 euros/mês

Habitação: casa própria, prestação mensal ao banco de 400 euros, três assoalhadas em Arruda-dos-Vinhos

Alimentação: mais de 100 euros mensais em leite, papas e fruta

Despesas com contas de casa: 100 euros

Transportes: carro com combustível a gás

Saúde: despesas de vacinação essencialmente (75 euros por cada uma das cinco contra a meningite)

Escola: a filha fica à guarda dos avós maternos. Aos três anos ingressará num infantário público perto de casa

Vestuário: só agora começam a comprar roupa, a maioria foi herdada ou oferecida

Férias: passadas na casa de Verão da família, na praia do Baleal

FAMÍLIA MARQUES GOMES: 4 FILHOS

Rendimento mensal: 2800 euros

Abono: 100 euros/mês

Habitação: moradia T4, c/ empréstimo bancário, São Lázaro, Braga

Alimentação: 1000 euros por mês

Transportes: um monovolume

Saúde: Despesas reduzidas. Raramente estão doentes e procuram sempre o médico de família.

Escola: 470 euros/mês, 90 euros por mês para a creche do bebé, 500 euros em livros e material escolar

Vestuário: preferem os saldos no início de cada época

Férias: passadas na praia, em Portugal (normalmente duas semanas no Algarve)

PRESTAÇÕES AQUÉM DO IDEAL

APOIO SOCIAL ÀS FAMÍLIAS

Distante de um regime de Segurança Social exemplar, como o francês que inclui o subsídio de nascimento (830 euros), de base (166 euros até aos três anos) e o de início de aulas para os agregados desfavorecidos – 265 euros), o português é mais modesto. Licença de maternidade e paternidade, subsídio de nascimento e aleitação, abono de família para crianças e jovens, são as principais prestações pecuniárias, de montante variável. Em Maio, o total de titulares de prestações familiares era 1 640 871.

MAIS VELHO E COM FAMÍLIAS MENOS NUMEROSAS: O PAÍS EM NÚMEROS

106 081 nados vivos (menos 2,9% do que em 2003)

108,7% é o índice de idosos por cada 100 jovens até aos 14 anos

1,4 número médio de filhos por mulher, idêntico à média geral europeia

71% das famílias têm no máximo 3 filhos

OS FARDOS DE UM SISTEMA DESIGUAL

João de Melo, 43 Anos. Economista, autor do estudo ‘Quanto Custa um Filho’, apresentado no Centro Integrado de Apoio Familiar de Coimbra, em 2004.

- No seu trabalho parte de um cenário evidente: o da quebra da natalidade. Temos cada vez menos filhos porque eles ‘saem’ cada vez mais caros?

- A decisão de ter ou não filhos resulta de um conjunto complexo de factores. Mas a abrupta queda do nível de vida que se segue à sua geração ajuda a que poucos arrisquem ir além de um ou dois filhos, apesar de os inquéritos mostrarem que os portugueses gostavam de ter mais filhos.

- Alerta também para o ‘síndroma do cuco’. Em que consiste?

- O cuco é um pássaro que põe os ovos nos ninhos dos outros e deixa que sejam outros a cuidar do futuro da sua espécie. Suponhamos uma sociedade constituída por dois casais de igual rendimento: os Silva, com 4 filhos, e os Lopes, que decidem não ter filhos. Na idade de aposentação, quem vai pagar ambas as reformas vai ser a geração seguinte, isto é, os filhos dos Silva! Ou seja: são os que têm filhos que arcam com a parte de leão das despesas de criação da geração seguinte cujo trabalho permitirá pagar tanto as suas reformas como as dos outros (que não tiveram despesas): é como se os Lopes pusessem os ovos no ninho dos Silva O nosso actual sistema socializou os benefícios da geração de filhos mas manteve privados os seus custos.

- Como repor então o equilíbrio social?

- Se socializámos, no pós-II Guerra, os benefícios de ter filhos, talvez seja justo que socializemos também uma parte significativa dos custos, de forma a que todos (mesmo os que resolvem não ter filhos) paguem mais por igual a formação da nova geração da qual, em última análise, todos beneficiam.

Maria Ramos Silva com Mário Fernandes

In Correio da Manhã

publicado por SoniaGuerreiro às 12:31
tags:

12
Nov 06

Auto-conhecimento e saber viver. Leia as ideias humanistas que o pensador russo Guerdjef revelou no início do século passado.

"Uma boa vida tem como base o sentido do que queremos para nós em cada momento e daquilo que, realmente, vale como principal"

Guerdjef traçou 20 regras de vida que foram colocadas em destaque no Instituto Francês de Ansiedade e Stress, em Paris. Dizem, os peritos na área do Comportamento, que quem já consegue assimilar 10 delas, com certeza, aprendeu a viver com qualidade interna.

 

As regras...

1 - Faça pausas de dez minutos a cada duas horas de trabalho, no máximo. Repita essas pausas na vida diária e pense em si, analisando as suas atitudes.

2 - Aprenda a dizer não sem se sentir culpado ou achar que magoou. Querer agradar a todos é um desgaste enorme.

3 - Planeie o seu dia, sim, mas deixe sempre um bom espaço para o improviso, consciente de que nem tudo depende de si.

4 - Concentre-se numa coisa de cada vez. Por mais ágeis que sejam os seus quadros mentais, você se canse em demasia.

5 - Esqueça, de uma vez por todas, que é imprescindível. No trabalho, em casa, no grupo habitual. Por mais que isso lhe desagrade, tudo anda sem a sua actuação, a não ser, você mesmo...

6 - Abra mão de ser o responsável pelo prazer de todos. Não é você a fonte dos desejos, o eterno mestre de cerimónias...

7 - Peça ajuda sempre que necessário, tendo o bom senso de pedir às pessoas certas.

8 - Diferencie problemas reais de problemas imaginários e elimine os imaginários, porque são pura perda de tempo e ocupam um espaço mental precioso para coisas mais importantes.

9 - Tente descobrir o prazer de factos quotidianos como dormir, comer e tomar banho, sem também achar que é o máximo a se conseguir na vida.

10 - Evite envolver-se na ansiedade e tensão alheias enquanto ansiedade e tensão. Espere um pouco e depois retome o diálogo, a acção.

11 - Família não é a sua pessoa. Está junto a si, compõe o seu mundo, mas não é a sua própria identidade.

12 - Entenda que princípios e convicções fechadas podem ser um grande peso,a trave do movimento e da busca.

13 - É preciso ter sempre alguém em que se possa confiar e falar abertamente ao menos num raio de cem quilómetros. Não adianta estar mais longe.

14 - Saiba a hora certa de sair de cena, de retirar-se do palco, de deixar a roda. Nunca perca o sentido da importância subtil de uma saída discreta.

15 - Não queira saber se falaram mal de si e nem se atormente com esse lixo mental; escute o que falaram bem, com reserva analítica, sem qualquer convencimento.

16 - Competir no lazer, no trabalho, na vida a dois, é óptimo... para quem quer ficar esgotado e perder o melhor.

17 - A rigidez é boa na pedra não no homem. A ele cabe firmeza, o que é muito diferente.

18 - Uma hora de intenso prazer substitui com folga 3 horas de sono perdido. O prazer recompõe mais que o sono. Logo, não perca uma oportunidade de divertir-se.

19 - Não abandone as suas três grandes e inabaláveis amigas: a intuição, a inocência e a fé.

20 - Entenda de uma vez por todas, definitiva e conclusivamente: Você é o que fizer

publicado por SoniaGuerreiro às 16:14
tags:

Março 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
23
24
25
26
27

28
29
30
31


subscrever feeds
Email
ainosccguerreiro@sapo.pt
mais sobre mim
Visitas
blogs SAPO