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Set 07
Alegadamente e supostamente são palavras caras. Difíceis de pronunciar. Ocupam espaço numa folha e atrapalham um directo. A mediatização dos nossos dias impõe factos, decisões. Carne ou peixe, nunca arenque fumado.

O tempo dos governos, das polícias, das instituições, deve ser outro. Pede ponderação e não governação em directo. Pede cautela e não criminosos fast-food. Mas a opinião publicada e encartada, sempre sabichona quanto às vontades e necessidades da opinião pública, exige respostas, acusações, sentenças. Numa palavra: factos. Mesmo quando só há dúvidas. Mesmo quando a dignidade das situações e o respeito pela verdade exigem responsabilidade (não confundir com silêncios).

O caso Maddie é uma espécie de ratatouille mediático. Com os ingredientes indispensáveis ao toque provinciano.

A televisão terá sido chamada antes da polícia.

A histeria antecipou-se à razão.

O «Live Maddie» conquistou o mundo. De caminho, conquistou também os bolsos dos bem intencionados. E até de um jornalismo dito «de causas», sendo que «as causas» de algum jornalismo ignoram consequências.

Do nada, apareceram especialistas de tudo. Do DNA às expressões faciais, passando pela investigação criminal.

O desfile de criminalistas faz inveja à Moda Lisboa. Em cada cidadão há um detective. Tal como nos estádios, abundam os treinadores de bancada para quem os jogos que não se ganham logo aos primeiros 5 minutos revelam a incompetência de quem manda.

As teorias da conspiração sobre o caso Maddie saltaram da mesa de café para o horário nobre. Discute-se em directo como se falássemos entre duas garfadas de um arroz de favas.

Surfamos a crista da onda sem sequer nos questionarmos se sabemos nadar. Mas há coisas fantásticas, não há?

Os «bons» pastores teceram a teoria do rapto de Maddie sem «ses» nem «mas». Pior: sem permitir aos outros os «ses» nem os «mas». Sempre pensando em frente, nunca pensando ao lado, acto obviamente menos preguiçoso e mais exigente. São os mesmos que agora parecem ter todas as certezas sobre a «culpa» dos pais da pequena Maddie. Onde antes lançaram balões, puxam agora da culatra. Onde antes não questionaram, agora querem saber porquê.

O rebanho é igual em Inglaterra e em Portugal. Em qualquer parte do mundo segue sempre os seus «bons» pastores. As ovelhas negras, essas, não têm a pretensão de indicar o caminho nem que a razão as acompanhe. Tal como Régio, não sabem por onde vão. Sabem apenas que não vão «por aí». Andam sozinhas, é um facto. Mas felizmente nunca se tresmalham.

In A Devida COmédia - Miguel Carvalho - VISÃO
publicado por SoniaGuerreiro às 14:55

Como é que consegue estar sempre sorrindo, o que faz para estar sempre tão contente?", perguntaram não há muito tempo a uma mulher famosa e bastante sensata.

 

E ela explicou que também tinha, como todo a gente, os seus momentos de tristeza, de cansaço, de inquietude, de mal-estar.

 

"Mas conheço o remédio para esses momentos: sair de mim mesma, interessar-me pelos demais, compreender que aqueles que nos rodeiam têm o direito de nos ver alegres".

 

"Penso que quando sorrio e me mostro alegre passo felicidade aos demais. E, ao passar essa felicidade, acontece como que um reflexo, que traz mais felicidade para dentro de mim também".

 

Creio que quem não está sempre somente preocupado com sua própria felicidade e se dedica a ajudar na procura da felicidade dos outros, acaba por encontrar a sua própria, assim, quase sem se dar conta!

 

Por isso, as pessoas que se esforçam por sorrir mesmo sem motivos, acabam por ter motivos para sorrir.

 

- E isso não é vontade de se enganar a si mesmo? Para sorrir você deve alcançar um estado tal que a alegria possa invadir o seu coração. Caso contrário, isso é como uma máscara, é falso.

 

O bom humor é uma vitória sobre o próprio medo e a própria debilidade. As pessoas mal humoradas escondem sua insegurança ou sua angústia atrás de um semblante brusco e distante, e com o tempo isso acaba tornando-se um hábito e se converte em um traço de seu carácter. Quando isso acontece, é bem mais difícil que o bom humor saia naturalmente, mas isto só ocorre porque esta pessoa alterou o que é da própria natureza humana, ou seja, a alegria. Desta forma, deverá esta pessoa sair desse círculo vicioso, e isto não será antinatural, muito pelo contrário: é o que pede a natureza.

 

- Mas falas dos efeitos de medos e debilidades, e medos e debilidades todos temos...

 

Precisamente por isso, a diferença entre uns e outros está no modo de os enfrentar. O sensato é fazê-lo com um pouco de bom humor, rindo-se um pouco de si mesmo se for necessário.

 

Tudo o que se faz sorrindo sempre nos ajuda a sermos mais humanos, a moderar as nossas tendências, a sermos mais capazes de compreender os demais e até a nós mesmos.

 

É uma grande sorte ter ao redor pessoas que sabem sorrir.

 

E o sorriso é algo que cada um tem que construir pacientemente na sua vida.

 

- Construir? Com quê?

 

Com equilíbrio interior, aceitando a realidade da vida, querendo aos demais, saindo de si mesmo, esforçando se por sorrir mesmo que não tenha muita vontade como já dissemos antes. É algo que deve ser praticado com constância.

 

- Mas não se pode encarar tudo na vida com bom humor. Existem muitas coisas que não têm nenhuma graça...

 

Mas, mesmo que não tenham nenhuma graça, sempre se pode tirar delas algum ensinamento, algum bem, mesmo que seja difícil de encontrar e demoremos anos para entender. Em algumas situações, pode ser útil desenvolver a capacidade de aplicar o bom humor para neutralizar a carga trágica das contrariedades.

 

(Alfonso Alguiló)

publicado por SoniaGuerreiro às 10:15
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