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Nov 07
A coisa mais injusta da vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás para frente. Nós deveríamos morrer primeiro, livrarmo-nos logo desse peso. Depois viver num asilo, até sair de lá para fora por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Trabalhar 40 anos até ficar novo o suficiente para poder aproveitar a reforma. Curtir muito, beber bastante álcool, fazer festas e preparar-se para a faculdade. Ir para a escola, ter várias namoradas, ser criança, não ter nenhuma responsabilidade, tornar-se um bebezinho de colo, voltar para o útero da mãe, passar os seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um óptimo orgasmo! Não seria perfeito?
Charles Chaplin
publicado por SoniaGuerreiro às 15:23

As ruas da cidade de Beja vão voltar a brilhar durante a época natalícia, com as tradicionais iluminações alusivas à época. A iniciativa pertence à Câmara Municipal local, num investimento que ascende a 27 mil euros e que pretende, conforme revela a autarquia em comunicado, “apoiar a época de vendas que tanto beneficia todos os comerciantes locais”.
Nesse sentido, são “iluminadas” durante este período festivo as ruas das Portas de Mértola; de Mértola / Terreiro dos Valentes; Capitão João Francisco de Sousa; Gomes Palma; laterais da Praça Diogo Fernandes; da Liberdade; dos Infantes; das Lojas; Condes da Boavista; Dr. Brito Camacho; D. Nuno Álvares Pereira e Luís de Camões; assim como os largos dos Duques e dos Correios, a Praça da República, o edifício da Câmara de Beja; e as fachadas da Associação Comercial do Distrito de Beja e da Igreja da Misericórdia.
In Correio Alentejo
publicado por SoniaGuerreiro às 14:48

«O elogio da solidão» 

 

A solidão encontra-se frequentemente associada a sentimentos de tristeza, angústia, sofrimento, etc. Talvez por isso, quando se aborda este tema é quase sempre para encontrar formas de combater este flagelo, como se tratasse de uma verdadeira praga. Se fosse possível os partidos políticos defenderiam a sua extinção. E, caso houvesse um referendo a nossa sociedade provavelmente eliminá-la-ia.

 

As pessoas associam habitualmente a solidão aos idosos, presos, refugiados, imigrantes, etc. Na verdade, estas imagens são estereotipadas e reflectem somente uma parte da realidade. Qualquer um de nós tem diariamente vários momentos de solidão: na fila do trânsito, no transporte público, na sala de espera de um consultório, numa caminhada a pé, no ginásio, etc. Estes exemplos servem para demonstrar que a solidão ocorre no nosso dia-a-dia e não pode ser suprimida, por outro lado, ela nem sempre reproduz algo negativo ou penoso.

 

Existem inúmeras áreas artísticas em que a solidão se revela fundamental. Temos o caso da pintura, da escultura, da escrita, só para citar alguns exemplos. Será que quem intervém nestas áreas é masoquista? Não me parece. E, quando tomamos decisões importantes (apesar de podermos partilhá-las com outros) não o fazemos em solidão? A solidão é imprescindível na nossa vida mental, e, por isso, há que aprender a tirar partido dela.

 

Há algum tempo atrás falei com um jovem que fazia um percurso diário (em cada sentido) de cerca de 45 minutos de comboio para ir para as aulas. Perguntei-lhe em que é que pensava durante aquele tempo. A resposta foi simples e directa: «não penso em nada de especial, apenas aguardo que a viagem termine». Fiquei triste por ele. Este rapaz desperdiçava, deste modo fútil, os seus momentos de solidão. Transformava-os em algo estéril e vazio. Isto traduz um aspecto interessante: para muitos o silêncio interior é difícil de suportar. Mas, ao rejeitarem-no estão a proceder como um agricultor que não cultiva a terra e a deixa ao abandono.

 

A nossa solidão deve ser usada para reflectirmos sobre aquilo que nos vai acontecendo; para estruturar a nossa vida psíquica e pensarmos sobre as nossas relações, sentimentos, dúvidas, desejos, frustrações e alegrias. Actualmente, pensa-se, discute-se e fala-se muito sobre o que acontece fora de nós e, muito pouco daquilo que se passa cá dentro. As tentações para o fazer são muitas: futebol, moda, política, beleza, viagens, etc.

 

O nosso cérebro deveria ter predefinido uma espécie de "tempo de antena interior". É por isso que - nós os psiquiatras - observamos com frequência, uma certa forma de "analfabetismo da vida interior". Este é um mal que atravessa todas as classes sociais e que se encontra espalhado um pouco por toda a parte. O pior é que para a maioria, este analfabetismo passa despercebido e indetectável durante muitos, muitos anos (com frequência toda a vida).

 

Há que aproveitar a nossa solidão para "ler" e tentar compreender aquilo que se vai passando dentro de nós. Este exercício também se aprende e deve ser estimulado. A psicoterapia acaba por ser uma escola onde se descobre a ter acesso à nossa vida interior. Todavia, não é a única forma de o fazer; veja-se o caso da oração para quem tem fé...

 

Neste contexto, a solidão é óptima! Por isso, não viva cá fora, sem antes estar só, lá

dentro!

 


Pedro Afonso In Forum da Familia


publicado por SoniaGuerreiro às 08:20

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